MATEUS-CAPTULO-1
A genealogia de Jesus El Cristo {em Hebreu: Y'shu Ha Mashi'ah} (Lc
3.23-38).
1 Livro da gerao de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de
Abrao.
2 Abrao gerou a Isaque, e Isaque gerou a Jac, e Jac gerou a
Jud e a seus irmos,
3 e Jud gerou de Tamar a Perez e a Zer, e Perez gerou a
Esrom, e Esrom gerou a Aro.
4 Aro gerou a Aminadabe, e Aminadabe gerou a Naassom, e
Naassom gerou a Salmom,
5 e Salmom gerou de Raabe a Boaz, e Boaz gerou de Rute a Obede,
e Obede gerou a Jess.
6 Jess gerou ao rei Davi, e o rei Davi gerou a Salomo da que
foi mulher de Urias.
7 Salomo gerou a Roboo, e Roboo gerou a Abias, e Abias gerou
a Asa,
8 e Asa gerou a Josaf, e Josaf gerou a Joro, e Joro gerou a
Uzias,
9 e Uzias gerou a Joto, e Joto gerou a Acaz, e Acaz gerou a
Ezequias.
10 Ezequias gerou a Manasss, e Manasss gerou a Amom, e Amom
gerou a Josias,
11 e Josias gerou a Jeconias e a seus irmos na deportao para
a Babilnia.
12 E, depois da deportao para a Babilnia, Jeconias gerou a
Salatiel, e Salatiel gerou a Zorobabel,
13 e Zorobabel gerou a Abide, e Abide gerou a Eliaquim, e
Eliaquim gerou a Azor,
14 e Azor gerou a Sadoque, e Sadoque gerou a Aquim, e Aquim
gerou a Elide,
15 e Elide gerou a Eleazar, e Eleazar gerou a Mat, e Mat
gerou a Jac,
16 e Jac gerou a Jos, marido de Maria, da qual nasceu JESUS,
que se chama o Cristo.
17 De sorte que todas as geraes, desde Abrao at Davi, so
catorze geraes; e, desde Davi at a deportao para a Babilnia,
catorze geraes; e, desde a deportao para a Babilnia at Cristo,
catorze geraes.
O nascimento de Jesu Cristo.
18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria,
sua me, desposada com Jos, antes de se ajuntarem, achou-se ter
concebido do Esprito Santo.
19 Ento, Jos, seu marido, como era justo e a no queria
infamar, intentou deix-la secretamente.
20 E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um
anjo do Senhor, dizendo: Jos, filho de Davi, no temas receber a
Maria, tua mulher, porque o que nela est gerado  do Esprito Santo.
21 E ela dar  luz um filho, e chamars o seu nome JESUS,
porque Ele salvar o seu povo dos seus pecados.
22 Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da
parte do Senhor pelo profeta, que diz:
23 Eis que a virgem conceber e dar  luz um filho, e ele ser
chamado pelo nome de EMMANUEL, que traduzido : Deus connosco.
24 E Jos, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe
ordenara, e recebeu a sua mulher,
25 e no a conheceu at que deu  luz seu filho, o primognito;
e ps-lhe o nome de JESUS.

MATEUS-CAPITULO-2
Os sbios do Oriente.
1 E, tendo nascido Jesus em Belm da Judia, no tempo do rei
Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalm,
2 dizendo: Onde est aquele que  nascido rei dos judeus?
Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos a ador-lo.
3 E o rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e toda a
Jerusalm, com ele.
4 E, congregados todos os prncipes dos sacerdotes e os
escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo.
5 E eles lhe disseram: Em Belm da Judia, porque assim est
escrito pelo profeta:
6 E tu, Belm, terra de Jud, de modo nenhum s a menor entre
as (1) capitais de Jud, porque de ti sair o (2) Guia que h de
apascentar o meu povo de Israel. (1){ou prncipes} (2){ou Governador}
7 Ento, Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu
diligentemente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera.
8 E, enviando-os a Belm, disse: Ide, e perguntai com
diligncia pelo menino, e, quando o achardes, participai-mo, para que
tambm eu v e o adore.
9 E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que
tinham visto no Oriente ia adiante deles, at que, chegando, se ' ps
sobre o lugar onde estava o menino.
10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se muito com grande
alegria.
11 E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua me, e,
prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram
ddivas: ouro, ' e incenso e mirra.
12 E, sendo por divina revelao avisados em sonhos para que
no voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por
outro caminho.
A fuga para o Egito. A matana dos inocentes.
13 E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu
a Jos em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua me, e
foge para o Egito, e demora-te l at que eu te diga, porque Herodes
h de procurar o menino para o matar.
14 E, levantando-se ele, tomou o menino e sua me, de noite, e
foi para o Egito.
15 E esteve l at  morte de Herodes, para que se cumprisse o
que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei
o meu Filho.
16 Ento, Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos,
irritou-se muito e mandou matar todos os meninos que havia em Belm e
em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo
que diligentemente inquirira dos magos.
17 Ento, se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias, que
diz:
18 Em Ram se ouviu uma voz, lamentao, choro e grande pranto;
Raquel chorando os seus filhos e no querendo ser consolada, porque j
no existiam.
A volta do Egito.
19 Morto, porm, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu,
num sonho, a Jos, no Egito,
20 dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua me, e vai para a
terra de Israel, porque j esto mortos os que procuravam a (1) morte do
menino. (1){ou vida}
21 Ento, ele se levantou, e tomou o menino e sua me, e foi
para a terra de Israel.
22 E, ouvindo que Arquelau reinava na Judia em lugar de
Herodes, seu pai, receou ir para l; mas, avisado em sonhos por divina
revelao, foi para as partes da Galilia.
23 E chegou e habitou numa cidade chamada Nazar, para que se
cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele ser chamado Nazareno.

MATEUS-CAPITULO-3
Joo Batista (Mc 1.1-8; Lc 3.1-18; Jo 1.6-8,19-36).
1 E, naqueles dias, apareceu Joo Batista pregando no deserto
da Judia
2 e dizendo: Arrependei-vos, porque  chegado o Reino dos cus.
3 Porque este  o anunciado pelo profeta Isaas, que disse: Voz
do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as
suas veredas.
4 E este Joo tinha a sua veste de plos de camelo e um cinto
de couro em torno de seus lombos e alimentava-se de gafanhotos e de
mel silvestre.
5 Ento, ia ter com ele Jerusalm, e toda a Judia, e toda a
provncia adjacente ao Jordo;
6 e eram por ele batizados no rio Jordo, confessando os seus
pecados.
7 E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao
seu batismo, dizia-lhes: Raa de vboras, quem vos ensinou a fugir da
ira futura?
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento
9 e no presumais de vs mesmos, dizendo: Temos por pai a
Abrao; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar
filhos a Abrao.
10 E tambm, agora, est posto o machado  raiz das rvores;
toda rvore, pois, que no produz bom fruto  cortada e lanada no
fogo.
11 E eu, em verdade, vos batizo ' em gua, para o
arrependimento; mas aquele que vem aps mim  mais poderoso do que eu;
no sou digno de levar as suas (1) sandlias; ele vos batizar ' em o
Esprito Santo e com fogo. (1){ou calado}
12 Em sua mo tem a p, e limpar a sua eira, e recolher no
celeiro o seu trigo, e queimar a palha com fogo que nunca se apagar.
O batismo de Jesus (Mc 1.9-11; Lc 3.21,22; Jo 1.32-34)
13 Ento, veio Jesus da Galilia ter com Joo junto do Jordo,
para ser batizado por ele.
14 Mas Joo opunha-se-lhe, dizendo: Eu careo de ser batizado
por ti, e vens tu a mim?
15 Jesus, porm, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora,
porque assim nos convm cumprir toda a justia. Ento, ele o permitiu.
16 E, sendo Jesus batizado, ' subiu logo da gua, e eis que se
lhe abriram os cus, e viu o Esprito de Deus descendo como pomba e
vindo sobre ele.
17 E eis que uma voz dos cus dizia: Este  o meu Filho amado,
em quem me ' agrado.

MATEUS-CAPITULO-4
A tentao de Jesus (Mc 1.12-13; Lc 4.1-13).
1 Ento, foi conduzido Jesus pelo Esprito ao deserto, para ser
tentado pelo diabo.
2 e, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve
fome;
3 E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu s o Filho de
Deus, manda que estas pedras se tornem em pes.
4 Ele, porm, respondendo, disse: Est escrito: Nem s de po
viver o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
5 Ento o diabo o transportou  Cidade Santa, e colocou-o sobre
o pinculo do templo,
6 e disse-lhe: Se tu s o Filho de Deus, lana-te daqui abaixo;
porque est escrito: Aos seus anjos dar ordens a teu respeito, e
tomar-te-o nas mos, para que nunca ' com teu p tropeces em alguma
pedra.
7 Disse-lhe Jesus: Tambm est escrito: No tentars o Senhor,
teu Deus.
8 Novamente, o transportou o diabo a um monte muito alto; e
mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glria deles.
9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
10 Ento, disse-lhe Jesus: Vai-te, Satans, porque est
escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorars e s a ele servirs.
11 Ento, o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos e o
serviram.
Jesus na Galilia. Os primeiros discpulos (Mc 1.14-20; Lc 4.14-32;
5.1-11).
12 Jesus, porm, ouvindo que Joo estava preso, voltou para a
Galilia.
13 E, deixando Nazar, foi habitar em Cafarnaum, cidade
martima, nos confins de Zebulom e Naftali,
14 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaas,
que diz:
15 A terra de Zebulom e a terra de Naftali, junto ao caminho do
mar, alm do Jordo, a Galilia das naes,
16 o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e
aos que estavam assentados na regio e sombra da morte a luz raiou.
17 Desde ento, comeou Jesus a pregar e a dizer:
Arrependei-vos, porque  chegado o Reino dos cus.
18 E Jesus, andando junto ao mar da Galilia, viu dois irmos,
Simo, chamado Pedro, e Andr ' seu irmo, os quais lanavam as redes
ao mar, porque eram pescadores.
19 E disse-lhes: Vinde aps mim, e eu vos farei pescadores de
homens.
20 Ento, eles, deixando logo as redes, seguiram-no.
21 E, adiantando-se dali, viu outros dois irmos: Tiago, filho
de Zebedeu, e Joo, seu irmo, num barco com Zebedeu, seu pai,
consertando as redes; e chamou-os.
22 Eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.
23 E percorria Jesus toda a Galilia, ensinando nas suas
sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as
enfermidades e todas as molstias entre o povo.
24 E a sua fama correu por toda a Sria; e traziam-lhe todos os
que padeciam acometidos de vrias enfermidades e tormentos, os
endemoninhados, os lunticos e os paralticos, e ele os curava.
25 E seguia-o uma grande multido da Galilia, de Decpolis, de
Jerusalm, da Judia e dalm do Jordo.

MATEUS-CAPITULO-5
O sermo da montanha. As beatitudes (Lc 6.20-29).
1 Jesus, vendo a multido, subiu a um monte, e, assentando-se,
aproximaram-se dele os seus discpulos;
2 e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo:
3 Bem-aventurados os pobres de esprito, porque deles  o Reino
dos cus;
4 bem-aventurados os que choram, porque eles sero consolados;
5 bem-aventurados os mansos, porque eles herdaro a terra;
6 bem-aventurados os que tm fome e sede de justia, porque
eles sero fartos;
7 bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcanaro
misericrdia;
8 bem-aventurados os limpos de corao, porque eles vero a
Deus;
9 bem-aventurados os pacificadores, porque eles sero chamados
filhos de Deus;
10 bem-aventurados os que sofrem perseguio por causa da
justia, porque deles  o Reino dos cus;
11 bem-aventurados sois vs quando vos injuriarem, e
perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vs, por minha
causa.
12 Exultai e alegrai-vos, porque  grande o vosso galardo nos
cus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vs.
13 Vs sois o sal da terra; e, se o sal for (1) inspido, com que
se h de salgar? Para nada mais presta, seno para se lanar fora e
ser pisado pelos homens. (1){Gr. moranthe: desvanecido, ou dissipado}
14 Vs sois a luz do mundo; no se pode esconder uma cidade
edificada sobre um (1) monte; (1){Gr. oros: uma montanha alta}
15 nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire,
mas, no velador, e d luz a todos que esto na casa.
16 Assim resplandea a vossa luz diante dos homens, para que
vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que est nos
cus.
17 No cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; no vim
ab-rogar, mas cumprir.
18 Porque em verdade vos digo que, at que o cu e a terra
passem, nem um jota ou um til se omitir da lei sem que tudo seja
cumprido.
19 Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e
assim ensinar aos homens ser chamado o menor no Reino dos cus;
aquele, porm, que os cumprir e ensinar ser chamado grande no Reino
dos cus.
20 Porque vos digo que, se a vossa justia no exceder a dos
escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos cus.
21 Ouvistes que foi dito aos antigos: No matars; mas qualquer
que matar ser (1) ru de juzo. (1){ou culpado, ou sujeito ao juzo}
22 Eu, porm, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar
contra seu irmo ser ru de juzo, e qualquer que chamar a seu irmo
de (1) raca ser ru do Sindrio; e qualquer que lhe chamar de (2)
louco ser ru do fogo do inferno. (1){ou nulo, sem valor} (2){ou
doido, demente, ou completamente trancado do entendimento}
23 Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e a te
lembrares de que teu irmo tem alguma coisa contra ti,
24 deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te
primeiro com teu irmo, e depois vem, e apresenta a tua oferta.
25 Concilia-te depressa com o teu adversrio, enquanto ests no
caminho com ele, para que no acontea que o adversrio te entregue ao
juiz, e o juiz te entregue ao (1) oficial, e te encerrem na priso. (1){ou
meirinho}
26 Em verdade te digo que, de maneira nenhuma, sairs dali,
enquanto no pagares o ltimo ceitil.
27 Ouvistes que foi dito aos antigos: No cometers adultrio.
28 Eu porm, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para
a cobiar j em seu corao cometeu adultrio com ela.
29 Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e
atira-o para longe de ti, pois te  melhor que se perca um dos teus
membros do que todo o teu corpo seja lanado no inferno.
30 E, se a tua mo direita te escandalizar, corta-a e atira-a
para longe de ti, porque te  melhor que um dos teus membros se perca
do que todo o teu corpo seja lanado no inferno.
31 Tambm foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, que lhe d
carta de desquite.
32 Eu, porm, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a
no ser por causa de ' fornicao, faz que ela cometa adultrio; e
qualquer que casar com a repudiada comete adultrio.
33 Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: No
perjurars, mas cumprirs teus juramentos ao Senhor.
34 Eu, porm, vos digo que, de maneira nenhuma, jureis nem pelo
cu, porque  o trono de Deus,
35 nem pela terra, porque  o escabelo de seus ps, nem por
Jerusalm, porque  a cidade do grande Rei,
36 nem jurars pela tua cabea, porque no podes tornar um
cabelo branco ou preto.
37 Seja, porm, o vosso falar: Sim, sim; no, no, porque o que
passa disso  de procedncia maligna.
38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente.
39 Eu, porm, vos digo que no resistais ao mal; mas, se
qualquer te bater na face direita, oferece-lhe tambm a outra;
40 e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a tnica,
larga-lhe tambm a capa;
41 e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele
duas.
42 D a quem te pedir e no te desvies daquele que quiser que
lhe emprestes.
43 Ouvistes que foi dito: Amars o teu prximo e odiars o teu
inimigo.
44 Eu, porm, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que
vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos
maltratam e vos perseguem,
45 para que sejais filhos do Pai que est nos cus; porque faz
que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desa sobre
justos e injustos.
46 Pois, se amardes os que vos amam, que galardo tereis? No
fazem os publicanos tambm o mesmo?
47 E, se saudardes unicamente os vossos irmos, que fazeis de
mais? No fazem os publicanos tambm assim?
48 Sede vs, pois, perfeitos, como  perfeito o vosso Pai, que
est nos cus.

MATEUS-CAPITULO-6
1 Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para
serdes vistos por eles; alis, no tereis galardo junto de vosso Pai,
que est nos cus.
2 Quando, pois, deres esmola, no faas tocar trombeta diante
de ti, como fazem os hipcritas nas sinagogas e nas ruas, para serem
glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que j receberam o seu
galardo.
3 Mas, quando tu deres esmola, no saiba a tua mo esquerda o
que faz a tua direita,
4 para que a tua esmola seja dada ocultamente, e teu Pai, que
v em secreto, te recompensar publicamente.
5 E, quando orares, no sejas como os hipcritas, pois se
comprazem em orar em p nas sinagogas e s esquinas das ruas, para
serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que j receberam o seu
galardo.
6 Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a
tua porta, ora a teu Pai, que v o que est oculto; e teu Pai, que v
o que est oculto, te recompensar.
7 E, orando, no useis de vs repeties, como os gentios, que
pensam que, por muito falarem, sero ouvidos.
8 No vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o
que vos  necessrio antes de vs lho pedirdes.
9 Portanto, vs orareis assim: Pai nosso, que ests nos cus,
santificado seja o teu nome.
10 Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra
como no cu.
11 O po nosso de cada dia d-nos hoje.
12 Perdoa-nos as nossas dvidas, assim como ns perdoamos aos
nossos devedores.
13 E no nos induzas  tentao, mas livra-nos do mal; porque
teu  o Reino, e o poder, e a glria, para sempre. Amm!
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, tambm
vosso Pai celestial vos perdoar a vs.
15 Se, porm, no perdoardes aos homens as suas ofensas, tambm
vosso Pai vos no perdoar as vossas ofensas.
16 E, quando jejuardes, no vos mostreis contristados como os
hipcritas, porque desfiguram o rosto, para que aos homens parea que
jejuam. Em verdade vos digo que j receberam o seu galardo.
17 Porm tu, quando jejuares, unge a cabea e lava o rosto,
18 para no pareceres aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai,
que est oculto; e teu Pai, que v o que est oculto, te recompensar.
19 No ajunteis tesouros na terra, onde a traa e a ferrugem
tudo consomem, e onde os ladres minam e roubam.
20 Mas ajuntai tesouros no cu, onde nem a traa nem a ferrugem
consomem, e onde os ladres no minam, nem roubam.
21 Porque onde estiver o vosso tesouro, ' ali estar tambm o
vosso corao.
22 A candeia do corpo  o ' olho; de sorte que, se o teu olho
for (1) sincero todo o teu corpo ter luz. {Gr. aplous: claro}
23 Porm se teu olho for maligno, todo teu corpo ser
tenebroso. Assi que se a luz que em ti h, so trevas; quantas sero
as mesmas trevas? '
24 Ningum pode servir a dois senhores, porque ou h de odiar
um e amar o outro ou se dedicar a um e desprezar o outro. No podeis
servir a Deus e a (1) mamom. (1){ou as riquezas}
25 Por isso, vos digo: no andeis cuidadosos quanto  vossa
vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto
ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. No  a vida mais do que o
mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?
26 Olhai para as aves do cu, que no semeiam, nem segam, nem
ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. No tendes vs
muito mais valor do que elas?
27 E qual de vs poder, com todos os seus cuidados,
acrescentar um cvado  sua estatura?
28 E, quanto ao vesturio, porque andais solcitos? Olhai para
os lrios do campo, como eles crescem; no trabalham, nem fiam.
29 E eu vos digo que nem mesmo Salomo, em toda a sua glria,
se vestiu como qualquer deles.
30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e
amanh  lanada no forno, no vos vestir muito mais a vs, homens de
pouca f?
31 No andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que
beberemos ou com que nos vestiremos?
32 (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto,
vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas;
33 Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justia, e
todas essas coisas vos sero acrescentadas.
34 No vos inquieteis, pois, pelo dia de amanh, porque o dia
de amanh cuidar de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

MATEUS-CAPITULO-7
1 No julgueis, para que no sejais julgados,
2 porque com o juzo com que julgardes sereis julgados, e com a
medida com que tiverdes medido vos ho de medir a vs.
3 E por que reparas tu no argueiro que est no olho do teu
irmo e no vs a trave que est no teu olho?
4 Ou como dirs a teu irmo: Deixa-me tirar o argueiro do teu
olho, estando uma trave no teu?
5 Hipcrita, tira primeiro a trave do teu olho e, ento,
cuidars em tirar o argueiro do olho do teu irmo.
6 No deis aos ces as coisas santas, nem deiteis aos porcos as
vossas prolas; para que no as pisem e, voltando-se, vos despedacem.
7 Pedi, e dar-se-vos -; buscai e encontrareis; batei, e
abrir-se-vos -.
8 Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao
que bate, se abre.
9 E qual dentre vs  o homem que, pedindo-lhe po o seu filho,
lhe dar uma pedra?
10 E, pedindo-lhe peixe, lhe dar uma serpente?
11 Se, vs, pois, sendo maus, sabeis dar (1) boas coisas aos
vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que est nos cus, dar bens aos
que lhe pedirem? (1){ou boas ddivas}
12 Portanto, tudo o que vs quiserdes que os homens vos faam,
fazei-lhos tambm vs ' assim, porque esta  a lei e os profetas.
13 Entrai pela porta estreita, porque larga  a porta, e
espaioso o caminho que conduz  perdio, e muitos so os que por ela
entram;
14 E porque estreita  a porta, e (1) apertado o caminho que leva
 vida, e poucos h que a achem. (1){Gr. tethlimmeni: pressionado,
oprimido, afligido}
15 Acautelai-vos, porm, dos falsos profetas, que vm at vs
vestidos como ovelhas, mas interiormente so lobos devoradores. {ou
lobos usurpadores}
16 Por seus frutos os [realmente] (1) conhecereis. Porventura,
colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? (1){Gr.
epiginoskei: conhecereis exatamente e entendereis completamente}
17 Assim, toda rvore boa produz bons frutos, e toda rvore m
produz frutos maus.
18 No pode a rvore boa dar maus frutos, nem a rvore m dar
frutos bons.
19 Toda rvore que no d bom fruto corta-se e lana-se no
fogo.
20 Portanto, pelos seus frutos os [realmente] (1) conhecereis.
(1){Gr. epiginoskei: conhecereis exatamente e entendereis completamente}
21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrar no Reino dos
cus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que est nos cus.
22 Muitos me diro naquele Dia: Senhor, Senhor, no [ assim
que] profetizamos ns em teu nome? E, em teu nome, no havemos lanado
fora demnios? E, em teu nome, no fizemos muitas maravilhas?
23 E, ento, lhes direi abertamente: Nunca vos [assim] (1)
conheci; apartai-vos de mim, vs que praticais a iniqidade. (1){ou
Nunca os vim a conhecer (assim); (isto , como fiis e obedientes
feitores)}
24 Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as
pratica, assemelh-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa
sobre a rocha.
25 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e
combateram aquela casa, e no caiu, porque estava edificada sobre a
rocha.
26 E aquele que ouve estas minhas palavras e as no cumpre,
compar-lo-ei ao homem (1) insensato, que edificou a sua casa sobre a
areia. (1){ou trancado do discernimento}
27 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e
combateram aquela casa, e caiu, e foi grande sua cada.
28 E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multido
se admirou da sua doutrina,
29 porquanto os ensinava com autoridade e no como os escribas.

MATEUS-CAPITULO-8
1 E, descendo ele do monte, seguiu-o uma grande multido.
2 E eis que veio um leproso e o adorou, dizendo: Senhor, se
quiseres, podes tornar-me limpo.
3 E Jesus, estendendo a mo, tocou-o, dizendo: Quero; s limpo.
E logo sua lepra foi limpa.
4 Disse-lhe, ento, Jesus: Olha, no o digas a algum, mas vai,
mostra-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moiss ' ordenou, para
lhes servir de testemunho.
5 E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um
centurio, rogando-lhe
6 e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa paraltico e
gravemente atormentado.
7 E Jesus lhe disse: Eu virei e ' o sararei.
8 E o centurio, respondendo, disse: Senhor, no sou digno de
que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o
meu criado sarar,
9 pois tambm eu sou homem sob autoridade e tenho soldados s
minhas ordens; e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele
vem; e ao meu criado: faze isto, e ele o faz.
10 E maravilhou-se Jesus, ouvindo isso, e disse aos que o
seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta
f.
11 Mas eu vos digo que muitos viro do Oriente e do Ocidente e
assentar-se-o  mesa com Abrao, e Isaque, e Jac, no Reino dos cus;
12 E os filhos do Reino sero lanados nas trevas exteriores;
ali, haver pranto e ranger de dentes.
13 Ento, disse Jesus ao centurio: Vai, e como creste te seja
feito. E, naquela mesma hora, o seu criado sarou.
14 E Jesus, entrando na casa de Pedro, viu a sogra ' deitada e
com febre.
15 E tocou-lhe na mo, e a febre a deixou; e levantou-se e
servia-os.
16 E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e
lano fora deles os espritos com a palavra, e curou todos os que
estavam enfermos,
17 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaas,
que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas
doenas.
18 E Jesus, vendo uma grande multido ao redor de si, ordenou
que passassem para a outra margem.
19 E, aproximando-se dele um escriba, disse: Mestre, aonde quer
que fores, eu te seguirei.
20 E disse Jesus: As raposas tm covis, e as aves do cu tm
ninhos, mas o Filho do Homem no tem onde reclinar a cabea.
21 E outro de seus discpulos lhe disse: Senhor, permite-me
que, primeiramente, v sepultar meu pai.
22 Jesus, porm, disse-lhe: Segue-me e deixa aos mortos
sepultar os seus mortos.
23 E, entrando ele no barco, seus discpulos o seguiram.
24 E eis que, no mar, se levantou uma tempestade to grande,
que o barco era coberto pelas ondas; ele, porm, estava dormindo.
25 E os seus discpulos, aproximando-se, o despertaram,
dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos.
26 E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pouca f? Ento,
levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande
bonana.
27 E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem  este,
que at os ventos e o mar lhe obedecem?
28 E, tendo chegado  outra margem,  provncia dos gadarenos,
saram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulcros; to
ferozes eram, que ningum podia passar por aquele caminho.
29 E eis que clamaram, dizendo: Que temos ns contigo, Jesus,
Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?
30 E andava pastando distante deles uma manada de muitos
porcos.
31 E os diabos rogaram-lhe, dizendo: Se nos lanas fora,
permite-nos que entremos naquela manada de porcos.
32 E ele lhes disse: Ide. E, saindo eles, se introduziram na
manada dos porcos; e eis que toda aquela manada de porcos se
precipitou no mar por um despenhadeiro, e morreram nas guas.
33 Os porqueiros fugiram e, chegando  cidade, divulgaram tudo
o que acontecera aos endemoninhados.
34 E eis que toda aquela cidade saiu ao encontro de Jesus, e,
vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.

MATEUS-CAPITULO-9
1 Ento, entrando no barco, passou para a outra margem, e
chegou  sua cidade. E eis que lhe trouxeram um paraltico deitado
numa cama.
2 E Jesus, vendo a f deles, disse ao paraltico: Filho, tem
bom nimo; perdoados te so os teus pecados.
3 E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Este blasfema.
4 Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que
pensais mal em vossos coraes?
5 Pois o que  mais fcil dizer, perdoados te so os teus
pecados, ou dizer, levanta-te e anda?
6 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra
autoridade para perdoar pecados--disse ento ao paraltico:
Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa.
7 Ento, levantando-se, foi para sua casa.
8 E a multido, vendo isso, maravilhou-se e glorificou a Deus,
que dera tal poder aos homens.
9 E Jesus, passando adiante dali, viu um homem assentado na
alfndega, qual se chamava Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele,
levantando-se, o seguiu.
10 E aconteceu que, estando ele em casa sentado  mesa,
chegaram muitos publicanos e pecadores e sentaram-se juntamente com
Jesus e seus discpulos.
11 E os fariseus, vendo isso, disseram aos seus discpulos: Por
que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?
12 Jesus, porm, ouvindo, disse-lhes: No necessitam de mdico
os sos, mas sim, os doentes.
13 Ide, porm, e aprendei o que significa: Tenho prazer em
misericrdia e no em (1) sacrifcio. Porque eu no vim para chamar os
justos, mas os pecadores, ao arrependimento. (1){ou oferta}
14 Ento, chegaram ao p dele os discpulos de Joo, dizendo:
Por que jejuamos ns, e os fariseus, muitas vezes, e os teus
discpulos no jejuam?
15 E disse-lhes Jesus: Podem, porventura, andar tristes os (1)
filhos das bodas, enquanto o esposo est com eles? Dias, porm, viro
em que lhes ser tirado o esposo, e ento jejuaro. (1){Gr. os filhos da
cmara nupcial}
16 Ningum deita remendo de pano novo em veste velha, porque
tirado o remendo rompe a veste, e faz-se maior a rotura.
17 Nem se deita vinho novo em odres velhos; alis, rompem-se os
odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se
vinho novo em odres novos, e assim ambos ' juntamente se conservam.
18 Dizendo-lhes ele essas coisas, eis que chegou um (1) chefe e o
adorou, dizendo: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impe-lhe a
tua mo, e ela viver. (1){ou governador}
19 E Jesus, levantando-se, seguiu-o, e mais seus discpulos.
20 E eis que uma mulher que havia j doze anos padecia de um
fluxo de sangue, chegando por detrs dele, tocou a orla da sua veste,
21 porque dizia consigo: Se eu to-somente tocar a sua veste,
ficarei s.
22 E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom nimo,
filha, a tua f te salvou. E (1) imediatamente a mulher ficou s. (1){ou
desde o mesmo instante}
23 E Jesus, chegando  casa daquele chefe, e vendo os
instrumentistas e o povo em grande alvoroo,
24 disse-lhes: Retirai-vos, que a menina no est morta, mas
dorme. E (1) riram-se dele. {ou zombavam}
25 E, logo que o povo foi posto fora, entrou Jesus e pegou-lhe
pela mo, e a menina levantou-se.
26 E correu esta fama por toda aquela terra. '
27 E, partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando e
dizendo: Tem compaixo de ns, Filho de Davi.
28 E, quando chegou  casa, os cegos se aproximaram dele; e
Jesus disse-lhes: Credes vs que eu possa fazer isto? Disseram-lhe
eles: Sim, Senhor.
29 Tocou, ento, os olhos deles, dizendo: Seja-vos feito
segundo a vossa f.
30 E os olhos se lhes abriram. E Jesus ameaou-os, dizendo:
Olhai que ningum o saiba.
31 Mas, tendo ele sado, divulgaram a sua fama por toda aquela
terra.
32 E, havendo-se eles retirado, trouxeram-lhe um homem mudo e
endemoninhado.
33 E, como foi lanado fora o demnio, falou o mudo; e a
multido se maravilhou, dizendo: Nunca tal se viu em Israel.
34 Mas os fariseus diziam: Pelo prncipe dos demnios expulsa a
os demnios.
35 E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando em
suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e sarando toda
enfermidade, e todo o mal entre o povo.
36 E, vendo a multido, teve grande compaixo deles, porque
andavam desgarrados e errantes como ovelhas que no tm pastor.
37 Ento, disse aos seus discpulos: A ceifa  realmente
grande, mas poucos so os obreiros.
38 Rogai, pois, ao Senhor da ceifa que mande obreiros para a
sua ceifa.

MATEUS-CAPITULO-10
1 E, chamando os seus doze discpulos, deu-lhes poder sobre os
espritos imundos, para os lanarem fora e para curarem toda
enfermidade e todo mal.
2 Ora, os nomes dos doze apstolos so estes: O primeiro,
Simo, chamado Pedro, e Andr, seu irmo; (1) Tiago, filho de Zebedeu, e
Joo, seu irmo; {ou Jacobo}
3 Filipe e Bartolomeu; Tom e Mateus, o publicano; Tiago, filho
de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu;
4 Simo, o Zelote, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu.
5 Jesus enviou estes doze e lhes ordenou, dizendo: No ireis
pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos;
6 mas ide, antes, s ovelhas perdidas da casa de Israel;
7 e, indo, pregai, dizendo:  chegado o Reino dos cus.
8 Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos,
lanai fora os demnios; de graa o recebestes, de graa o dai.
9 No possuais ouro, nem prata, nem (1) cobre, em vossos cintos;
{ou dinheiro de cobre}
10 nem alforges para o caminho, nem duas tnicas, nem
sandlias, nem bordo, porque digno  o obreiro de seu alimento.
11 E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai
saber quem nela seja digno e pousai ali at que saiais.
12 E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a;
13 e, se a casa for digna, desa sobre ela a vossa paz; mas, se
no for digna, torne para vs a vossa paz.
14 E qualquer que vos no receber, nem vossas palavras ouvir,
saindo daquela casa ou cidade, sacudi o p dos vossos ps.
15 Em verdade vos digo, que mais tolervel ser aos da terra de
Sodoma e Gomorra no dia do juizo, de que aquela cidade.
16 Eis que vos envio como ovelhas em meio de lobos; portanto,
sede prudentes como serpentes e smplices como pombas.
17 Acautelai-vos, porm, dos homens, porque eles vos entregaro
aos conclios e vos aoitaro nas suas sinagogas;
18 e sereis at conduzidos  presena dos governadores e dos
reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho, a eles e aos
gentios.
19 Mas, quando vos entregarem, no vos d cuidado como ou o que
haveis de falar, porque, naquela mesma hora, vos ser ministrado o que
haveis de falar.
20 Porque no sois vs quem falar, mas o Esprito de nosso Pai
 que fala em vs.
21 E o irmo entregar  morte ao irmo, e o pai, ao filho; e
os filhos se levantaro contra os pais e os mataro.
22 E de todos sereis ' aborrecidos por causa de meu nome; mas
aquele que perseverar at o fim, ' esse ser salvo.
23 Quando, pois, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra;
porque em verdade vos digo que no acabareis de percorrer as cidades
de Israel sem que venha o Filho do Homem.
24 O discpulo no  mais do que o mestre, nem  o servo mais
do que o seu senhor.
25 Basta-lhe ao discpulo ser como seu mestre, e ao servo ser
como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de famlia, quanto mais
aos seus domsticos?
26 Portanto, no os temais, porque nada h encoberto que no
haja de (1) revelar-se, nem oculto que no haja de saber-se. (1){ou
descobrir-se}
27 O que vos digo em trevas, dizei-o em luz; e o que ouvirdes
ao ouvido, pregai-o sobre dos telhados.
28 E no temais os que matam o corpo e no podem matar a alma;
temei, antes, aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no
inferno.
29 No se vendem dois passarinhos por um (1) ceitil? E nenhum
deles cair em terra sem a vontade de vosso Pai. (1){ou asse}
30 E at mesmo os cabelos da vossa cabea esto todos contados.
31 No temais, pois; mais valeis vs do que muitos passarinhos.
32 Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens,
tambm eu o confessarei diante de meu Pai, que est nos cus.
33 Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei
tambm diante de meu Pai, que est nos cus
34 No cuideis que vim a meter paz na terra; no vim meter paz,
mas uma espada;
35 porque eu vim pr em (1) dissenso o homem contra seu pai, e a
filha contra sua me, e a nora contra sua sogra. (1){Gr. dichasai:
diviso, ou separao}
36 E, assim, os inimigos do homem sero os seus familiares.
37 Quem ama o pai ou a me mais do que a mim no  digno de
mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim no  digno de
mim.
38 E quem no toma a sua cruz e no segue aps mim no  digno
de mim.
39 Quem achar a sua (1) vida perd-la-; e quem perder a sua vida
por amor de mim ach-la-. (1){ou alma}
40 Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem a mim me recebe,
recebe aquele que me enviou.
41 Quem recebe um profeta (1) na qualidade de profeta receber
galardo de profeta; e quem recebe um justo (1) na qualidade de justo,
receber galardo de justo. {ou em nome de}
42 E qualquer que tiver dado s que seja um copo de gua fria a
um destes pequenos, em nome de discpulo, em verdade vos digo que no
perder o seu galardo.

MATEUS-CAPITULO-11
1 E aconteceu que, acabando Jesus de dar (1) instrues aos seus
doze discpulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.
(1){ou mandamentos}
2 E ouvindo Joo na priso as obras de Cristo, enviou dois dos
seus discpulos
3 a dizer-lhe: s tu aquele que havia de vir, ou esperamos a
outro?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Ide e anunciai a Joo as
coisas que ouvis e vedes:
5 Os cegos vem, e os mancos andam; os leprosos so limpos, e
os surdos ouvem; os mortos so ressuscitados, e aos pobres  (1)
anunciado o evangelho. {Gr. euaggelizontai: proclamado noticias
alegres, pregado boas novas}
6 E bem-aventurado  aquele que se no escandalizar em mim.
7 E, partindo eles, comeou Jesus a dizer s turbas a respeito
de Joo: Que sastes a ver no deserto? Alguma cana agitada pelo vento?
8 Ou que sastes a ver? Um homem ricamente vestido? Os que se
trajam ricamente esto nas casas dos reis.
9 Mas, ento, que sastes a ver? Um profeta? Sim, vos digo, e
mais do que um profeta;
10 porque  este de quem est escrito: Eis que diante da tua face
envio o meu (1) anjo, que (2) preparar diante de ti o teu caminho.
(1){ou mensageiro} (2){ou aparelhar}
11 Em verdade vos digo que, entre os que de mulher tm nascido,
no apareceu algum maior do que Joo Batista; mas aquele que  o
menor no Reino dos cus  maior do que ele.
12 E, desde os dias de Joo Batista at agora, se faz fora ao
Reino dos cus, e os valentes o arrebatam. '
13 Porque todos os profetas e a lei profetizaram at Joo.
14 E, se quereis dar crdito,  este o Elias que havia de vir.
15 Quem tem ouvidos para ouvir, oua.
16 Mas a quem assemelharei esta gerao?  semelhante aos
meninos que se assentam nas praas, e clamam aos seus companheiros,
17 e dizem: Tocamo-vos flauta, e no danastes; cantamo-vos
lamentaes, e no chorastes.
18 Porquanto veio Joo, no comendo, nem bebendo, e dizem: Tem
demnio.
19 Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis a um
homem comilo e beberro, amigo de publicanos e pecadores. Mas a
sabedoria  justificada de seus filhos.
20 Ento, comeou ele a lanar em rosto s cidades onde se
operou a maior parte dos seus prodgios o no se haverem emendado,
dizendo:
21 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e
em Sidom fossem feitos os prodgios que em vs se fizeram, h muito
que se teriam arrependido com pano de saco grosseiro e com cinza.
22 Por isso, eu vos digo que ser mais tolervel para Tiro e
Sidom, no Dia do Juzo, do que para vs.
23 E tu, Cafarnaum, que te ergues at aos cus, sers abatida
at aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os
prodgios que em ti se operaram, teria ela permanecido at hoje.
24 Porm eu vos digo que ser mais tolervel para os de Sodoma,
no Dia do Juzo, do que para ti.
25 Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graas te dou, 
Pai, Senhor do cu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sbios e
instrudos e as revelaste aos pequeninos.
26 Sim,  Pai, porque assim te aprouve.
27 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ningum
conhece (1) [realmente] o Filho, seno o Pai; e ningum conhece (1)
[realmente] o Pai, seno o Filho e aquele a quem o Filho o quiser
revelar. (1){Gr. epiginoskei: conhece conscientemente e entende
completamente}
28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e carregados, e eu
vos farei descansar.
29 Tomai sobre vs o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso
e humilde de corao, e encontrareis descanso para as vossas almas.
30 Porque o meu jugo  suave, e a minha carga  leve.

MATEUS-CAPITULO-12
1 Naquele tempo, passou Jesus pelas searas, em um sbado; e os
seus discpulos, tendo fome, comearam a colher espigas e a comer.
2 E os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus
discpulos fazem o que no  lcito fazer num sbado.
3 Ele, porm, lhes disse: No tendes lido o que fez Davi,
quando teve fome, ele e os que com ele estavam?
4 Como entrou na Casa de Deus e comeu os pes da proposio,
que no lhe era lcito comer, nem aos que com ele estavam, mas s aos
sacerdotes?
5 Ou no tendes lido na lei que, aos sbados, os sacerdotes no
templo violam o sbado e ficam sem culpa?
6 Pois eu vos digo que est aqui quem  maior do que o templo.
7 Mas, se vs soubsseis o que significa: Misericrdia quero e
no sacrifcio, no condenareis os inocentes.
8 Porque o Filho do Homem at do sbado  Senhor.
9 E, partindo dali, chegou  sinagoga deles.
10 E estava ali um homem que tinha uma das mos mirrada; e
eles, para acusarem Jesus, o interrogaram, dizendo:  lcito curar nos
sbados?
11 E ele lhes disse: Qual dentre vs ser o homem que, tendo
uma ovelha, se num sbado ela cair numa cova, no lanar mo dela e a
levantar?
12 Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? , por
conseqncia, lcito fazer bem nos sbados.
13 Ento disse quele homem: Estende a mo. E ele a estendeu, e
ficou s como a outra.
14 E os fariseus, tendo sado, formaram conselho contra ele,
para o matarem.
15 Jesus, sabendo isso, retirou-se dali, e acompanhou-o uma
grande multido de gente, e ele curou a todos.
16 E recomendava-lhes rigorosamente que o no descobrissem,
17 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaas,
que diz:
18 Eis aqui o meu servo que escolhi, o meu amado, em quem a
minha alma se compraz; porei sobre ele o meu Esprito, e anunciar aos
(1) gentios o juzo. (1){ou s naes}
19 No contender, nem clamar, nem algum ouvir pelas ruas a
sua voz;
20 no esmagar a cana quebrada e no apagar o morro que
fumega, at que faa triunfar o juzo.
21 E, no seu nome, os gentios esperaro.
22 Trouxeram-lhe, ento, um endemoninhado cego e mudo; e, de
tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.
23 E toda a multido se admirava e dizia: No  este o Filho de
Davi?
24 Mas os fariseus, ouvindo isso, diziam: Este no expulsa os
demnios seno por Belzebu, prncipe dos demnios.
25 Jesus, porm, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes:
Todo reino dividido contra si mesmo  devastado; e toda cidade ou casa
dividida contra si mesma no subsistir.
26 E, se Satans expulsa a Satans, est dividido contra si
mesmo; como subsistir, pois, o seu reino?
27 E, se eu expulso os demnios por Belzebu, por quem os
expulsam, ento, os vossos filhos? Portanto, eles mesmos sero os
vossos juzes.
28 Mas, se eu expulso os demnios pelo Esprito de Deus, logo 
chegado a vs o Reino de Deus.
29 Ou como pode algum entrar em casa do homem valente e furtar
os seus bens, se primeiro no manietar o valente, saqueando, ento, a
sua casa?
30 Quem no  comigo  contra mim; e quem comigo no ajunta
espalha.
31 Portanto, eu vos digo: todo pecado e blasfmia se perdoar
aos homens, mas a blasfmia contra o Esprito no ser perdoada aos
homens.
32 E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do
Homem, ser-lhe - perdoado, mas, se algum falar contra o Esprito
Santo, no lhe ser perdoado, nem neste sculo nem no futuro.
33 Ou dizeis que a rvore  boa e o seu fruto, bom, ou dizeis
que a rvore  m e o seu fruto, mau; porque pelo fruto se conhece a
rvore.
34 Raa de vboras, como podeis vs dizer boas coisas, sendo
maus? Pois do que h em abundncia no corao, disso fala a boca.
35 O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu corao,
e o homem mau do mau tesouro tira coisas ms.
36 Mas eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens
disserem ho de dar conta no Dia do Juzo.
37 Porque por tuas palavras sers justificado e por tuas
palavras sers condenado.
38 Ento, alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra,
dizendo: Mestre, quisramos ver da tua parte algum sinal.
39 Mas ele lhes respondeu e disse: Uma gerao m e adltera
pede um sinal, porm no se lhe dar outro sinal, seno o do profeta
Jonas,
40 pois, como Jonas esteve trs dias e trs noites no ventre da
baleia, assim estar o Filho do Homem trs dias e trs noites no seio
da terra.
41 Os ninivitas ressurgiro no Juzo com esta gerao e a
condenaro, porque se arrependeram com a pregao de Jonas. E eis que
est aqui quem  mais do que Jonas.
42 A Rainha do Sul se levantar no Dia do Juzo com esta
gerao e a condenar, porque veio dos confins da terra para ouvir a
sabedoria de Salomo. E eis que est aqui quem  mais do que Salomo.
43 E, quando o esprito imundo tem sado do homem, anda por
lugares ridos, buscando repouso, e no o encontra.
44 Ento, diz: Voltarei para a minha casa, donde sa. E,
voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada.
45 Ento, vai e leva consigo outros sete espritos piores do
que ele, e, entrando, habitam ali; e so os ltimos atos desse homem
piores do que os primeiros. Assim acontecer tambm a esta gerao m.
46 E, falando ele ainda  multido, eis que estavam fora sua
me e seus irmos, pretendendo falar-lhe.
47 E disse-lhe algum: Eis que esto ali fora tua me e teus
irmos, que querem falar-te.
48 Porm ele, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem 
minha me? E quem so meus irmos?
49 E, estendendo a mo para os seus discpulos, disse: Eis aqui
minha me e meus irmos;
50 porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai, que est nos
cus, este  meu irmo, e irm, e me.

MATEUS-CAPITULO-13
1 Tendo Jesus sado de casa naquele dia, estava assentado junto
ao mar.
2 E ajuntou-se muita gente ao p dele, de sorte que, entrando
num barco, se assentou; e toda a multido estava em p na praia.
3 E falou-lhe de muitas coisas por parbolas, dizendo: Eis que
o semeador saiu a semear.
4 E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao p do
caminho, e vieram as aves e comeram-na;
5 e outra parte caiu em pedregais, onde no havia terra
bastante, e logo nasceu, porque no tinha terra funda.
6 Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque no tinha
raiz.
7 E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e
sufocaram-na.
8 E outra caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a
sessenta, e outro, a trinta.
9 Quem tem ouvidos para ouvir, que oua.
10 E, acercando-se dele os discpulos, disseram-lhe: Por que
lhes falas por parbolas?
11 Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vs  dado conhecer
os mistrios do Reino dos cus, mas a eles no lhes  dado;
12 porque quele que tem se dar, e ter em abundncia; mas
aquele que no tem, at aquilo que tem lhe ser tirado.
13 Por isso, lhes falo por parbolas, porque eles, vendo, no
vem; e, ouvindo, no ouvem, nem compreendem.
14 E neles se cumpre a profecia de Isaas, que diz: Ouvindo,
ouvireis, mas no compreendereis e, vendo, vereis, mas no
percebereis.
15 Porque o corao deste povo est endurecido, e ouviu de mau
grado com seus ouvidos e fechou os olhos, para que no veja com os
olhos, e oua com os ouvidos, e compreenda com o corao, e se
converta, e eu o cure.
16 Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vem, e os
vossos ouvidos, porque ouvem.
17 Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos
desejaram ver o que vs vedes e no o viram, e ouvir o que vs ouvis,
e no o ouviram.
18 Escutai vs, pois, a parbola do semeador.
19 Ouvindo algum a palavra do Reino e no a entendendo, vem o
maligno e arrebata o que foi semeado no seu corao; este  o que foi
semeado ao p do caminho;
20 porm o que foi semeado em pedregais  o que ouve a palavra
e logo a recebe com alegria;
21 mas no tem raiz em si mesmo; antes,  de pouca durao; e,
chegada a (1) angstia e a perseguio por causa da palavra, logo se
ofende; (1){tribulao: Gr. thlipsis: apertura, presso, opresso,
aflio}
22 e o que foi semeado entre espinhos  o que ouve a palavra,
mas os cuidados deste mundo e a seduo das riquezas sufocam a
palavra, e fica infrutfera;
23 mas o que foi semeado em boa terra  o que ouve e compreende
a palavra; e d fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro,
trinta.
24 Props-lhes outra parbola, dizendo: O Reino dos cus 
semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo;
25 mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio
no meio do trigo, e retirou-se.
26 E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu tambm o
joio.
27 E os servos do pai de famlia, indo ter com ele,
disseram-lhe: Senhor, no semeaste tu no teu campo boa semente? Por
que tem, ento, joio?
28 E ele lhes disse: Um inimigo  quem fez isso. E os servos
lhe disseram: Queres, pois, que vamos arranc-lo?
29 Porm ele lhes disse: No; para que, ao colher o joio, no
arranqueis tambm o trigo com ele.
30 Deixai crescer ambos juntos at  ceifa; e, por ocasio da
ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos
para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.
31 Outra parbola lhes props, dizendo: O Reino dos cus 
semelhante a um gro de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no
seu campo;
32 o qual  realmente a menor de todas as sementes; mas,
crescendo,  a maior das plantas e faz-se uma rvore, de sorte que vm
as aves do cu e se aninham nos seus ramos.
33 Outra parbola lhes disse: O Reino dos cus  semelhante ao
fermento que uma mulher toma e introduz em trs medidas de farinha,
at que tudo esteja levedado.
34 Tudo isso disse Jesus por parbolas  multido e nada lhes
falava sem parbolas,
35 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que
disse: Abrirei em parbolas a boca; publicarei coisas ocultas desde a
criao do mundo.
36 Ento, tendo despedido a multido, foi Jesus para casa. E
chegaram ao p dele os seus discpulos, dizendo: Explica-nos a
parbola do joio do campo.
37 E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente 
o Filho do Homem,
38 o campo  o mundo, a boa semente so os filhos do Reino, e o
joio so os filhos do Maligno.
39 O inimigo que o semeou  o diabo; e a ceifa  o fim do (1)
mundo; e os ceifeiros so os anjos. (1){fim do mundo como ns o sabemos;
fim do tempo Gr. aionos}
40 Assim como o joio  colhido e queimado no fogo, assim ser
na consumao deste mundo.
41 Mandar o Filho do Homem os seus anjos, e eles colhero do
seu Reino tudo o que causa escndalo e os que cometem iniqidade.
42 E lan-los-o na fornalha de fogo; ali, haver pranto e
ranger de dentes.
43 Ento, os justos resplandecero como o sol, no Reino de seu
Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, que oua.
44 Tambm o Reino dos cus  semelhante a um tesouro escondido
num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende
tudo quanto tem e compra aquele campo.
45 Outrossim, o Reino dos cus  semelhante ao homem negociante
que busca boas prolas;
46 e, encontrando uma prola de grande valor, foi, vendeu tudo
quanto tinha e comprou-a.
47 Igualmente, o Reino dos cus  semelhante a uma rede lanada
ao mar e que apanha toda qualidade de peixes.
48 E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se,
apanham para os cestos os bons; os ruins, porm, lanam fora.
49 Assim ser na consumao dos sculos: viro os anjos e
separaro os maus dentre os justos.
50 E lan-los-o na fornalha de fogo; ali, haver pranto e
ranger de dentes.
51 E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas coisas?
Disseram-lhe eles: Sim, Senhor.
52 E ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instrudo acerca do
Reino dos cus  semelhante a um pai de famlia que tira do seu
tesouro coisas novas e velhas.
53 E aconteceu que Jesus, concluindo essas parbolas, se
retirou dali.
54 E, chegando  sua ptria, ensinava-os na sinagoga deles, de
sorte que se maravilhavam e diziam: Donde veio a este a sabedoria e
estas maravilhas?
55 No  este o filho do carpinteiro? E no se chama sua me
Maria, e seus irmos, Tiago, e Jos, e Simo, e Judas?
56 E no esto entre ns todas as suas irms? Donde lhe veio,
pois, tudo isso?
57 E escandalizavam-se nele. Jesus, porm, lhes disse: No h
profeta sem honra, a no ser na sua ptria e na sua casa.
58 E no fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade
deles.

MATEUS-CAPITULO-14
1 Naquele tempo, ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus.
2 E disse aos seus criados: Este  Joo Batista; ressuscitou
dos mortos, e, por isso, estas maravilhas operam nele.
3 Porque Herodes tinha prendido Joo e tinha-o manietado e
encerrado no crcere por causa de Herodias, mulher de seu irmo
Filipe;
4 porque Joo lhe dissera: No te  lcito possu-la.
5 E, querendo mat-lo, temia o povo, porque o tinham como
profeta.
6 Festejando-se, porm, o dia natalcio de Herodes, danou a
filha de Herodias diante dele e agradou a Herodes,
7 pelo que prometeu, com juramento, dar-lhe tudo o que pedisse.
8 E ela, instruda previamente por sua me, disse: D-me aqui
num prato a cabea de Joo Batista.
9 E o rei afligiu-se, mas, por causa do juramento e dos que
estavam  mesa com ele, ordenou que se lhe desse.
10 E mandou degolar Joo no crcere,
11 e a sua cabea foi trazida num prato e dada  jovem, e ela a
levou a sua me.
12 E chegaram os seus discpulos, e levaram o corpo, e o
sepultaram, e foram anunci-lo a Jesus.
13 E Jesus, ouvindo isso, retirou-se dali num barco, para um
lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a p desde as
cidades.
14 E Jesus, saindo, viu uma grande multido e, possudo de
ntima compaixo para com ela, curou os seus enfermos.
15 E, sendo chegada a tarde, os seus discpulos aproximaram-se
dele, dizendo: O lugar  deserto, e a hora  j avanada; despede a
multido, para que vo pelas aldeias e comprem comida para si.
16 Jesus, porm, lhes disse: No  mister que vo; dai-lhes vs
de comer.
17 Ento, eles lhe disseram: No temos aqui seno cinco pes e
dois peixes.
18 E ele disse: Trazei-mos aqui.
19 Tendo mandado que a multido se assentasse sobre a erva,
tomou os cinco pes e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao cu, os
abenoou, e, partindo os pes, deu-os aos discpulos, e os discpulos,
 multido.
20 E comeram todos e saciaram-se, e levantaram dos pedaos que
sobejaram doze cestos cheios.
21 E os que comeram foram quase cinco mil homens, alm das
mulheres e crianas.
22 E logo ordenou Jesus que os seus discpulos entrassem no
barco e fossem adiante, para a outra banda, enquanto despedia a
multido.
23 E, despedida a multido, subiu ao monte para orar  parte.
E, chegada j a tarde, estava ali s.
24 E o barco estava j no meio do mar, aoitado pelas ondas,
porque o vento era contrrio.
25 Mas,  quarta viglia da noite, dirigiu-se Jesus para eles,
caminhando por cima do mar.
26 E os discpulos, vendo-o caminhar sobre o mar,
assustaram-se, dizendo:  um fantasma. E gritaram, com medo.
27 Jesus, porm, lhes falou logo, dizendo: Tende bom nimo, sou
eu; no temais.
28 E respondeu-lhe Pedro e disse: Senhor, se s tu, manda-me ir
ter contigo por cima das guas.
29 E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as
guas para ir ter com Jesus.
30 Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, comeando a ir
para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me.
31 E logo Jesus, estendendo a mo, segurou-o e disse-lhe: Homem
de pouca f, por que duvidaste?
32 E, quando subiram para o barco, acalmou o vento.
33 Ento, aproximaram-se os que estavam no barco e adoraram-no,
dizendo: s verdadeiramente o Filho de Deus.
34 E, tendo passado para a outra banda, chegaram  terra de
Genesar.
35 E, quando os homens daquele lugar o (1) conheceram
[realmente], mandaram por todas aquelas terras em redor e
trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos. (1){Gr. epiginoskei:
conheceram conscientemente e o entenderam completamente}
36 E rogavam-lhe que, ao menos, eles pudessem tocar a orla da
sua veste; e todos os que a tocavam ficavam sos.

MATEUS-CAPITULO-15
1 Ento, chegaram ao p de Jesus uns escribas e fariseus de
Jerusalm, dizendo:
2 Por que transgridem os teus discpulos a tradio dos
ancios? Pois no lavam as mos quando comem po.
3 Ele, porm, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vs
tambm o mandamento de Deus pela vossa tradio?
4 Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua me; e:
Quem maldisser ao pai ou  me, que morra de morte.
5 Mas vs dizeis: Qualquer que disser ao pai ou  me:  oferta
ao Senhor o que poderias aproveitar de mim, esse no precisa honrar
nem a seu pai nem a sua me,
6 E assim invalidastes, pela vossa tradio, o mandamento de
Deus.
7 Hipcritas, bem profetizou Isaas a vosso respeito, dizendo:
8 Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os
seus lbios, mas o seu corao est longe de mim.
9 Mas em vo me adoram, ensinando doutrinas que so preceitos
dos homens.
10 E, chamando a si a multido, disse-lhes: Ouvi e entendei:
11 o que contamina o homem no  o que entra na boca, mas o que
sai da boca, isso  o que contamina o homem.
12 Ento, acercando-se dele os seus discpulos, disseram-lhe:
Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?
13 Ele, porm, respondendo, disse: Toda planta que meu Pai
celestial no plantou ser arrancada.
14 Deixai-os; so condutores cegos; ora, se um cego guiar outro
cego, ambos cairo na cova.
15 E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa
parbola.
16 Jesus, porm, disse: At vs mesmos estais ainda sem
entender?
17 Ainda no compreendeis que tudo o que entra pela boca desce
para o ventre e  lanado fora?
18 Mas o que sai da boca procede do corao, e isso contamina o
homem.
19 Porque do corao procedem os maus pensamentos, mortes,
adultrios, prostituio, furtos, falsos testemunhos e blasfmias.
20 So essas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar
as mos, isso no contamina o homem.
21 E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de
Sidom.
22 E eis que uma mulher canania, que sara daquelas cercanias,
clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericrdia de mim, que
minha filha est miseravelmente endemoninhada.
23 Mas ele no lhe respondeu palavra. E os seus discpulos,
chegando ao p dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando
atrs de ns.
24 E ele, respondendo, disse: Eu no fui enviado seno s
ovelhas perdidas da casa de Israel.
25 Ento, chegou ela e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me.
26 Ele, porm, respondendo, disse: No  bom pegar o po dos
filhos e deit-lo aos cachorrinhos.
27 E ela disse: Sim, Senhor, mas tambm os cachorrinhos comem
das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
28 Ento, respondeu Jesus e disse-lhe:  mulher, grande  a tua
f. Seja isso feito para contigo, como tu desejas. E, desde aquela
hora, a sua filha ficou s.
29 Partindo Jesus dali, chegou ao p do mar da Galilia e,
subindo a um monte, assentou-se l.
30 E veio ter com ele muito povo, que trazia coxos, cegos,
mudos, aleijados e outros muitos; e os puseram aos ps de Jesus, e ele
os sarou,
31 de tal sorte que a multido se maravilhou vendo os mudos a
falar, os aleijados sos, os coxos a andar, e os cegos a ver; e
glorificava o Deus de Israel.
32 E Jesus, chamando os seus discpulos, disse: Tenho compaixo
da multido, porque j est comigo h trs dias e no tem o que comer,
e no quero despedi-la em jejum, para que no desfalea no caminho.
33 E os seus discpulos disseram-lhe: Donde nos viriam num
deserto tantos pes, para saciar tal multido?
34 E Jesus disse-lhes: Quantos pes tendes? E eles disseram:
Sete e uns poucos peixinhos.
35 Ento, mandou  multido que se assentasse no cho.
36 E, tomando os sete pes e os peixes e dando graas,
partiu-os e deu-os aos seus discpulos, e os discpulos,  multido.
37 E todos comeram e se saciaram, e levantaram, do que sobejou,
sete cestos cheios de pedaos.
38 Ora, os que tinham comido eram quatro mil homens, alm de
mulheres e crianas.
39 E, tendo despedido a multido, entrou no barco e dirigiu-se
ao territrio de Magdala.

MATEUS-CAPITULO-16
1 E, chegando-se os fariseus e os saduceus para o tentarem,
pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do cu.
2 Mas ele, respondendo, disse-lhes: Quando  chegada a tarde,
dizeis: Haver bom tempo, porque o cu est rubro.
3 E pela manh: Hoje haver tempestade, porque o cu est de um
vermelho sombrio. Hipcritas, sabeis diferenar a face do cu e no
conheceis os sinais dos tempos?
4 Uma gerao m e adltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe
ser dado, seno o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se.
5 E, passando seus discpulos para a outra banda, tinham-se
esquecido de trazer po.
6 E Jesus disse-lhes: Adverti e acautelai-vos do fermento dos
fariseus e saduceus.
7 E eles arrazoavam entre si, dizendo:  porque no trouxemos
po.
8 E Jesus, percebendo isso, disse: Por que arrazoais entre vs,
homens de pouca f, sobre o no vos terdes fornecido de po?
9 No compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pes para
cinco mil homens e de quantos cestos levantastes?
10 Nem dos sete pes para quatro mil e de quantos cestos
levantastes?
11 Como no compreendestes que no vos falei a respeito do po,
mas que vos guardsseis do fermento dos fariseus e saduceus?
12 Ento, compreenderam (1) [realmente] que no dissera que se
guardassem do fermento do po, mas da doutrina dos fariseus. (1){Gr.
epiginoskei: conheceram conscientemente e entenderam completamente}
13 E, chegando Jesus s partes de Cesaria de Filipe,
interrogou os seus discpulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o
Filho do Homem?
14 E eles disseram: Uns, Joo Batista; outros, Elias, e outros,
Jeremias ou um dos profetas.
15 Disse-lhes ele: E vs, quem dizeis que eu sou?
16 E Simo Pedro, respondendo, disse: Tu s o Cristo, o Filho
do Deus vivo.
17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado s tu, Simo
Barjonas, porque no foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai,
que est nos cus.
18 Pois tambm eu te digo que tu s Pedro {Gr. Petros, que
significa pedra pequena} e sobre esta pedra {Gr. petra, que significa
grande Rocha} edificarei a minha igreja, e as portas do inferno no
prevalecero contra ela.
19 E eu te darei as chaves do Reino dos cus, e tudo o que
ligares na terra ser ligado nos cus, e tudo o que desligares na
terra ser desligado nos cus.
20 Ento, mandou aos seus discpulos que a ningum dissessem
que ele era o Cristo.
21 Desde ento, comeou Jesus a mostrar aos seus discpulos que
convinha ir a Jerusalm, e padecer muito dos ancios, e dos principais
dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro
dia.
22 E Pedro, tomando-o de parte, comeou a repreend-lo,
dizendo: Senhor, tem compaixo de ti; de modo nenhum te acontecer
isso.
23 Ele, porm, voltando-se, disse a Pedro: Para trs de mim,
Satans, que me serves de escndalo; porque no compreendes as coisas
que so de Deus, mas s as que so dos homens.
24 Ento, disse Jesus aos seus discpulos: Se algum quiser vir
aps mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me;
25 porque aquele que quiser salvar a sua vida (1) perd-la -, e
quem perder a sua vida por amor de mim ach-la -. (1){ou alma}
26 Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se
perder a sua (1) alma? Ou que dar o homem em recompensa da sua alma?
(1){ou vida}
27 Porque o Filho do Homem vir na glria de seu Pai, com os
seus anjos; e, ento, dar a cada um segundo as suas obras.
28 Em verdade vos digo que alguns h, dos que aqui esto, que
no provaro a morte at que vejam vir o Filho do Homem no seu Reino.

MATEUS-CAPITULO-17
1 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a
Joo, seu irmo, e os conduziu em particular a um alto monte.
2 E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu
como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.
3 E eis que lhes apareceram Moiss e Elias, falando com ele.
4 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom 
estarmos aqui; se queres, faamos aqui trs tabernculos, um para ti,
um para Moiss e um para Elias.
5 E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os
cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este  o meu Filho amado,
em quem me comprazo; escutai-o.
6 E os discpulos, ouvindo isso, caram sobre seu rosto e
tiveram grande medo.
7 E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes e disse: Levantai-vos e
no tenhais medo.
8 E, erguendo eles os olhos, ningum viram, seno a Jesus.
9 E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A
ningum conteis a viso at que o Filho do Homem seja ressuscitado dos
mortos.
10 E os seus discpulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem,
ento, os escribas que  mister que Elias venha primeiro?
11 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias vir
primeiro e restaurar todas as coisas.
12 Mas digo-vos que Elias j veio, e no o conheceram, mas
fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim faro eles tambm padecer o
Filho do Homem.
13 Ento, entenderam os discpulos que lhes falara de Joo
Batista.
14 E, quando chegaram  multido, aproximou-se-lhe um homem,
pondo-se de joelhos diante dele e dizendo:
15 Senhor, tem misericrdia de meu filho, que  luntico e
sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e, muitas vezes, na gua;
16 e trouxe-o aos teus discpulos e no puderam cur-lo.
17 E Jesus, respondendo, disse:  gerao incrdula e perversa!
At quando estarei eu convosco e at quando vos sofrerei? Trazei-mo
aqui.
18 E repreendeu Jesus o demnio, que saiu dele; e, desde aquela
hora, o menino sarou.
19 Ento, os discpulos, aproximando-se de Jesus em particular,
disseram: Porque no pudemos ns expuls-lo?
20 E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca f; porque em
verdade vos digo que, se tiverdes f como um gro de mostarda, direis
a este monte: Passa daqui para acol--e h de passar; e nada vos ser
impossvel.
21 Mas esta casta de demnios no se expulsa seno pela orao
e pelo jejum.
22 Ora, achando-se eles na Galilia, disse-lhes Jesus: O Filho
do Homem ser entregue nas mos dos homens,
23 e mat-lo-o, e, ao terceiro dia, ressuscitar. E eles se
entristeceram muito.
24 E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que
cobravam as didracmas e disseram: O vosso mestre no paga as
didracmas?
25 Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou,
dizendo: Que te parece, Simo? De quem cobram os reis da terra os
tributos ou os impostos? Dos seus filhos ou dos alheios?
26 Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, esto
livres os filhos.
27 Mas, para que os no escandalizemos, vai ao mar, lana o
anzol, tira o primeiro peixe que subir e, abrindo-lhe a boca,
encontrars um estter; toma-o e d-o por mim e por ti.

MATEUS-CAPITULO-18
1 Naquela mesma hora, chegaram os discpulos ao p de Jesus,
dizendo: Quem  o maior no Reino dos cus?
2 E Jesus, chamando uma criana, a ps no meio deles
3 e disse: Em verdade vos digo que, se no vos converterdes e
no vos fizerdes como crianas, de modo algum entrareis no Reino dos
cus.
4 Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criana,
esse  o maior no Reino dos cus.
5 E qualquer que receber em meu nome uma criana tal como esta
a mim me recebe.
6 Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crem
em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoo uma m de
azenha, e se submergisse na profundeza do mar.
7 Ai do mundo, por causa dos escndalos. Porque  mister que
venham escndalos, mas ai daquele homem por quem o escndalo vem!
8 Portanto, se a tua mo ou o teu p te escandalizar, corta-o e
atira-o para longe de ti; melhor te  entrar na vida coxo ou aleijado
do que, tendo duas mos ou dois ps, seres lanado no fogo eterno.
9 E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para
longe de ti. Melhor te  entrar na vida com um s olho do que, tendo
dois olhos, seres lanado no fogo do inferno.
10 Vede, no desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos
digo que os seus anjos nos cus sempre vem a face de meu Pai que est
nos cus.
11 Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido.
12 Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma
delas se desgarrar, no ir pelos montes, deixando as noventa e nove,
em busca da que se desgarrou?
13 E, se, porventura, a acha, em verdade vos digo que maior
prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se no
desgarraram.
14 Assim tambm no  vontade de vosso Pai, que est nos cus,
que um destes pequeninos se perca.
15 Ora, se teu irmo pecar contra ti, vai e repreende-o entre
ti e ele s; se te ouvir, ganhaste a teu irmo.
16 Mas, se no te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para
que, pela boca de duas ou trs testemunhas, toda palavra seja
confirmada.
17 E, se no as escutar, dize-o  igreja; e, se tambm no
escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.
18 Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra ser
ligado no cu, e tudo o que desligardes na terra ser desligado no
cu.
19 Tambm vos digo que, se dois de vs concordarem na terra
acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes ser feito por meu
Pai, que est nos cus.
20 Porque onde estiverem dois ou trs reunidos em meu nome, a
estou eu no meio deles.
21 Ento, Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, at
quantas vezes pecar meu irmo contra mim, e eu lhe perdoarei? At
sete?
22 Jesus lhe disse: No te digo que at sete, mas at setenta
vezes sete.
23 Por isso, o Reino dos cus pode comparar-se a um certo rei
que quis fazer contas com os seus servos;
24 e, comeando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe
devia dez mil talentos.
25 E, no tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele,
e sua mulher, e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha,
para que a dvida se lhe pagasse.
26 Ento, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo:
Senhor, s generoso para comigo, e tudo te pagarei.
27 Ento, o senhor daquele servo, movido de ntima compaixo,
soltou-o e perdoou-lhe a dvida.
28 Saindo, porm, aquele servo, encontrou um dos seus conservos
que lhe devia cem (1) dinheiros e, lanando mo dele, sufocava-o,
dizendo: Paga-me o que me deves. (1){ou denrios}
29 Ento, o seu companheiro, prostrando-se a seus ps,
rogava-lhe, dizendo: S generoso para comigo, e tudo te pagarei.
30 Ele, porm, no quis; antes, foi encerr-lo na priso, at
que pagasse a dvida.
31 Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia,
contristaram-se muito e foram declarar ao seu senhor tudo o que se
passara.
32 Ento, o seu senhor, chamando-o  sua presena, disse-lhe:
Servo malvado, perdoei-te toda aquela dvida, porque me suplicaste.
33 No devias tu, igualmente, ter compaixo do teu companheiro,
como eu tambm tive misericrdia de ti?
34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores,
at que pagasse tudo o que devia.
35 Assim vos far tambm meu Pai celestial, se do corao no
perdoardes, cada um a seu irmo, as suas ofensas.

MATEUS-CAPITULO-19
1 E aconteceu que, concluindo Jesus esses discursos, saiu da
Galilia e dirigiu-se aos confins da Judia, alm do Jordo.
2 E seguiram-no muitas gentes e curou-as ali.
3 Ento, chegaram ao p dele os fariseus, tentando-o e
dizendo-lhe:  lcito ao homem repudiar sua mulher por qualquer
motivo?
4 Ele, porm, respondendo, disse-lhes: No tendes lido que
aquele que os fez no princpio macho e fmea os fez,
5 e disse: Portanto, deixar o homem pai e me e se unir  sua
mulher, e sero dois numa s carne?
6 Assim no so mais dois, mas uma s carne. Portanto, o que
Deus ajuntou no separe o homem.
7 Disseram-lhe eles: Ento, por que mandou Moiss dar-lhe carta
de divrcio e repudi-la?
8 Disse-lhes ele: Moiss, por causa da dureza do vosso corao,
vos permitiu repudiar vossa mulher; mas, ao princpio, no foi assim.
9 Eu vos digo, porm, que qualquer que repudiar sua mulher, no
sendo por causa de prostituio, e casar com outra, comete adultrio;
e o que casar com a repudiada tambm comete adultrio.
10 Disseram-lhe seus discpulos: Se assim  a condio do homem
relativamente  mulher, no convm casar.
11 Ele, porm, lhes disse: Nem todos podem receber esta
palavra, mas s aqueles a quem foi concedido.
12 Porque h eunucos que assim nasceram do ventre da me; e h
eunucos que foram castrados pelos homens; e h eunucos que se
castraram a si mesmos por causa do Reino dos cus. Quem pode receber
isso, que o receba.
13 Trouxeram-lhe, ento, algumas crianas, para que lhes
impusesse as mos e orasse; mas os discpulos os repreendiam.
14 Jesus, porm, disse: Deixai os pequeninos e no os estorveis
de vir a mim, porque dos tais  o Reino dos cus.
15 E, tendo-lhes imposto as mos, partiu dali.
16 E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom
Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna?
17 E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? No h bom, seno um
s que  Deus. Se queres, porm, entrar na vida, guarda os
mandamentos.
18 Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: No matars, no
cometers adultrio, no furtars, no dirs falso testemunho;
19 honra teu pai e tua me, e amars o teu prximo como a ti
mesmo.
20 Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha
mocidade; que me falta ainda?
21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o
que tens, d-o aos pobres e ters um tesouro no cu; e vem e segue-me.
22 E o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste, porque
possua muitas propriedades.
23 Disse, ento, Jesus aos seus discpulos: Em verdade vos digo
que  difcil entrar um rico no Reino dos cus.
24 E outra vez vos digo que  mais fcil passar um camelo pelo
fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus.
25 Os seus discpulos, ouvindo isso, admiraram-se muito,
dizendo: Quem poder, pois, salvar-se?
26 E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens  isso
impossvel, mas a Deus tudo  possvel.
27 Ento, Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que ns
deixamos tudo e te seguimos; que receberemos?
28 E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vs, que me
seguistes, quando, na regenerao, o Filho do Homem se assentar no
trono da sua glria, tambm vos assentareis sobre doze tronos, para
julgar as doze tribos de Israel.
29 E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmos, ou irms,
ou pai, ou me, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome,
receber cem vezes tanto e herdar a vida eterna.
30 Porm muitos primeiros sero derradeiros, e muitos
derradeiros sero primeiros.

MATEUS-CAPITULO-20
1  Porque o Reino dos cus  semelhante a um homem, pai de
famlia, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua
vinha.
2 E, ajustando com os trabalhadores a um (1) dinheiro por dia,
mandou-os para a sua vinha. (1){ou denrio}
3 E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam
ociosos na praa.
4 E disse-lhes: Ide vs tambm para a vinha, e dar-vos-ei o que
for justo. E eles foram.
5 Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
6 E, saindo perto da hora undcima, encontrou outros que
estavam ociosos e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
7 Disseram-lhe eles: Porque ningum nos assalariou. Diz-lhes
ele: Ide vs tambm para a vinha e recebereis o que for justo.
8 E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu
mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salrio, comeando
pelos derradeiros at aos primeiros.
9 E, chegando os que tinham ido perto da hora undcima,
receberam um dinheiro cada um;
10 vindo, porm, os primeiros, cuidaram que haviam de receber
mais; mas, do mesmo modo, receberam um dinheiro cada um.
11 E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de famlia,
12 dizendo: Estes derradeiros trabalharam s uma hora, e tu os
igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia.
13 Mas ele, respondendo, disse a um deles: (1) Amigo, no te fao
injustia; no ajustaste tu comigo um dinheiro? (1){Gr. hetaire: Amigo
da ona}
14 Toma o que  teu e retira-te; eu quero dar a este derradeiro
tanto como a ti.
15 Ou no me  lcito fazer o que quiser do que  meu? Ou  mau
o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim, os derradeiros sero primeiros, e os primeiros,
derradeiros, porque muitos so chamados, mas poucos, escolhidos.
17 E, subindo Jesus a Jerusalm, chamou  parte os seus doze
discpulos e, no caminho, disse-lhes:
18 Eis que vamos para Jerusalm, e o Filho do Homem ser
entregue aos prncipes dos sacerdotes e aos escribas, e conden-lo-o
 morte.
19 E o entregaro aos gentios para que dele escarneam, e o
aoitem, e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitar.
20 Ento, se aproximou dele a me dos filhos de Zebedeu, com
seus filhos, adorando-o e fazendo-lhe um pedido.
21 E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes
meus dois filhos se assentem um  tua direita e outro  tua esquerda,
no teu Reino.
22 Jesus, porm, respondendo, disse: No sabeis o que pedis;
podeis vs beber o clice que eu hei de beber e ser batizados com o
batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos.
23 E diz-lhes ele: Na verdade bebereis o meu clice e sereis
batizados com o batismo com que eu sou batizado, mas o assentar-se 
minha direita ou  minha esquerda no me pertence d-lo, mas  para
aqueles para quem meu Pai o tem preparado.
24 E, quando os dez ouviram isso, indignaram-se contra os dois
irmos.
25 Ento, Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem
sabeis que pelos prncipes dos (1) gentios so estes dominados e que os
grandes exercem autoridade sobre eles. (1){ou das naes}
26 No ser assim entre vs; mas todo aquele que quiser, entre
vs, fazer-se grande, que seja vosso servial; {ou criado}
27 e qualquer que, entre vs, quiser ser o primeiro, que seja
vosso servo, {ou escravo}
28 bem como o Filho do Homem no veio para ser servido, mas
para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos.
29 E, saindo eles de Jeric, seguiu-o grande multido.
30 E eis que dois cegos, assentados junto do caminho, ouvindo
que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem
misericrdia de ns.
31 E a multido os repreendia, para que se calassem; eles,
porm, cada vez clamavam mais, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem
misericrdia de ns.
32 E Jesus, parando, chamou-os e disse: Que quereis que vos
faa?
33 Disseram-lhe eles: Senhor, que os nossos olhos sejam
abertos.
34 Ento, Jesus, movido de ntima compaixo, tocou-lhes nos
olhos, e logo viram; e eles o seguiram.

MATEUS-CAPITULO-21
1 E, quando se aproximaram de Jerusalm e chegaram a Betfag,
ao monte das Oliveiras, enviou, ento, Jesus dois discpulos,
dizendo-lhes:
2 Ide  aldeia que est defronte de vs e logo encontrareis uma
jumenta presa e um jumentinho com ela; desprendei-a e trazei-mos.
3 E, se algum vos disser alguma coisa, direis que o Senhor
precisa deles; e logo os enviar.
4 Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito
pelo profeta, que diz:
5 Dizei  filha de Sio: Eis que o teu Rei a te vem, humilde e
assentado sobre uma jumenta e sobre um jumentinho, filho de animal de
carga.
6 E, indo os discpulos e fazendo como Jesus lhes ordenara,
7 trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram as
suas vestes, e fizeram-no assentar em cima.
8 E muitssima gente estendia as suas vestes pelo caminho, e
outros cortavam ramos de rvores e os espalhavam pelo caminho.
9 E as multides, tanto as que iam adiante como as que o
seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem
em nome do Senhor! Hosana nas alturas!
10 E, entrando ele em Jerusalm, toda a cidade se alvoroou,
dizendo: Quem  este?
11 E a multido dizia: Este  Jesus, o Profeta de Nazar da
Galilia.
12 E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que
vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as
cadeiras dos que vendiam pombas.
13 E disse-lhes: Est escrito: A minha casa ser chamada casa
de orao. Mas vs a tendes convertido em covil de ladres.
14 E foram ter com ele ao templo cegos e coxos, e curou-os.
15 Vendo, ento, os principais dos sacerdotes e os escribas as
maravilhas que fazia e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho
de Davi, indignaram-se
16 e disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse:
Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito
tiraste o perfeito louvor?
17 E, deixando-os, saiu da cidade para Betnia e ali passou a
noite.
18 E, de manh, voltando para a cidade, teve fome.
19 E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela
e no achou nela seno folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasa fruto de
ti. E a figueira secou imediatamente.
20 E os discpulos, vendo isso, maravilharam-se, dizendo: Como
secou imediatamente a figueira?
21 Jesus, porm, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo
que, se tiverdes f e no duvidardes, no s fareis o que foi feito 
figueira, mas at, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te
no mar, assim ser feito.
22 E tudo o que pedirdes na orao, crendo, o recebereis.
23 E, chegando ao templo, acercaram-se dele, estando j
ensinando, os prncipes dos sacerdotes e os ancios do povo, dizendo:
Com que autoridade fazes isso? E quem te deu tal autoridade?
24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu tambm vos perguntarei
uma coisa; se ma disserdes, tambm eu vos direi com que autoridade
fao isso.
25 O batismo de Joo donde era? Do cu ou dos homens? E
pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: do cu, ele nos dir: Ento,
por que no o crestes?
26 E, se dissermos: dos homens, tememos o povo, porque todos
consideram Joo como profeta.
27 E, respondendo a Jesus, disseram: No sabemos. Ele
disse-lhes: Nem eu vos digo com que autoridade fao isso.
28 Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos e,
dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha
vinha.
29 Ele, porm, respondendo, disse: No quero. Mas, depois,
arrependendo-se, foi.
30 E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e,
respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e no foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O
primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as
meretrizes entram adiante de vs no Reino de Deus.
32 Porque Joo veio a vs no caminho de justia, e no o
crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vs, porm, vendo
isso, nem depois vos arrependestes para o crer.
33 Ouvi, ainda, outra parbola: Houve um homem, pai de famlia,
que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um
lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e
ausentou-se para longe.
34 E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos
lavradores, para receber os seus frutos.
35 E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um,
mataram outro e apedrejaram outro.
36 Depois, enviou outros servos, em maior nmero do que os
primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo.
37 E, por ltimo, enviou-lhes seu filho, dizendo: Tero
respeito a meu filho.
38 Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este 
o herdeiro; vinde, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herana.
39 E, lanando mo dele, o arrastaram para fora da vinha e o
mataram.
40 Quando, pois, vier o Senhor da vinha, que far queles
lavradores?
41 Dizem-lhe eles: Dar afrontosa morte aos maus e arrendar a
vinha a outros lavradores, que, a seu tempo, lhe dem os frutos.
42 Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os
edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabea do ngulo; pelo
Senhor foi feito isso e  maravilhoso aos nossos olhos?
43 Portanto, eu vos digo que o Reino de Deus vos ser tirado e
ser dado a uma nao que d os seus frutos.
44 E quem cair sobre esta pedra despedaar-se -; e aquele
sobre quem ela cair ficar reduzido a p.
45 E os prncipes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas
palavras, entenderam que falava deles;
46 e, pretendendo prend-lo, recearam o povo, porquanto o
tinham por profeta.

MATEUS-CAPITULO-22
1 Ento, Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em
parbolas, dizendo:
2 O Reino dos cus  semelhante a um certo rei que celebrou as
bodas de seu filho.
3 E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas;
e estes no quiseram vir.
4 Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados:
Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados j
mortos, e tudo j pronto; vinde s bodas.
5 Porm eles, no fazendo caso, foram, um para o seu campo, e
outro para o seu negcio;
6 e, os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e
mataram.
7 E o rei, tendo notcias disso, encolerizou-se, e, enviando os
seus exrcitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade.
8 Ento, disse aos servos: As bodas, na verdade, esto
preparadas, mas os convidados no eram dignos.
9 Ide, pois, s sadas dos caminhos e convidai para as bodas a
todos os que encontrardes.
10 E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos
encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial ficou cheia de
convidados.
11 E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem
que no estava trajado com veste nupcial.
12 E disse-lhe: (1) Amigo, como entraste aqui, no tendo veste
nupcial? E ele emudeceu. (1){Gr. hetaire: Amigo da ona}
13 Disse, ento, o rei aos servos: Amarrai-o de ps e mos,
levai-o e lanai-o nas trevas exteriores; ali, haver pranto e ranger
de dentes.
14 Porque muitos so chamados, mas poucos, escolhidos.
15 Ento, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o
surpreenderiam em alguma palavra.
16 E enviaram-lhe os seus discpulos, com os herodianos,
dizendo: Mestre, bem sabemos que s verdadeiro e ensinas o caminho de
Deus, segundo a verdade, sem te importares com quem quer que seja,
porque no olhas  aparncia dos homens.
17 Dize-nos, pois, que te parece:  lcito pagar o tributo a
Csar ou no?
18 Jesus, porm, conhecendo a sua malcia, disse: Por que me
experimentais, hipcritas?
19 Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um
dinheiro.
20 E ele disse-lhes: De quem  esta efgie e esta inscrio?
21 Disseram-lhe eles: De Csar. Ento, ele lhes disse: Dai,
pois, a Csar o que  de Csar e a Deus, o que  de Deus.
22 E eles, ouvindo isso, maravilharam-se e, deixando-o, se
retiraram.
23 No mesmo dia, chegaram junto dele os saduceus, que dizem no
haver ressurreio, e o interrogaram,
24 dizendo: Mestre, Moiss disse: Se morrer algum, no tendo
filhos, casar o seu irmo com a mulher dele e suscitar descendncia
a seu irmo.
25 Ora, houve entre ns sete irmos; o primeiro, tendo casado,
morreu e, no tendo descendncia, deixou sua mulher a seu irmo.
26 Da mesma sorte, o segundo, e o terceiro, at ao stimo;
27 por fim, depois de todos, morreu tambm a mulher.
28 Portanto, na ressurreio, de qual dos sete ser a mulher,
visto que todos a possuram?
29 Jesus, porm, respondendo, disse-lhes: Errais, no
conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.
30 Porque, na ressurreio, nem casam, nem so dados em
casamento; mas sero como os anjos no cu.
31 E, acerca da ressurreio dos mortos, no tendes lido o que
Deus vos declarou, dizendo:
32 Eu sou o Deus de Abrao, o Deus de Isaque e o Deus de Jac?
Ora, Deus no  Deus dos mortos, mas dos vivos.
33 E, as turbas, ouvindo isso, ficaram maravilhadas da sua
doutrina.
34 E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus,
reuniram-se no mesmo lugar.
35 E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar,
dizendo:
36 Mestre, qual  o grande mandamento da lei?
37 E Jesus disse-lhe: Amars o Senhor, teu Deus, de todo o teu
corao, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
38 Este  o primeiro e grande mandamento.
39 E o segundo, semelhante a este, : Amars o teu prximo como
a ti mesmo.
40 Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
41 E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus,
42 dizendo: Que pensais vs do Cristo? De quem  filho? Eles
disseram-lhe: De Davi.
43 Disse-lhes ele: Como , ento, que Davi, em esprito, lhe
chama Senhor, dizendo:
44 Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te  minha direita,
at que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus ps.
45 Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como  seu filho?
46 E ningum podia responder-lhe uma palavra, nem, desde aquele
dia, ousou mais algum interrog-lo.

MATEUS-CAPITULO-23
1 Ento, falou Jesus  multido e aos seus discpulos,
2 dizendo: Na cadeira de Moiss, esto assentados os escribas e
fariseus.
3 Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas no
procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e no
praticam.
4 Pois atam fardos pesados e difceis de suportar, e os pem
sobre os ombros dos homens; eles, porm, nem com o dedo querem
mov-los.
5 E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens,
pois trazem largos filactrios, e alargam as franjas das suas vestes,
6 e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras
cadeiras nas sinagogas,
7 e as saudaes nas praas, e o serem chamados pelos homens:
--Rabi, Rabi.
8 Vs, porm, no queirais ser chamados Rabi, porque um s  o
vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vs sois irmos.
9 E a ningum na terra chameis vosso pai, porque um s  o
vosso Pai, o qual est nos cus.
10 Nem vos chameis mestres, porque um s  o vosso Mestre, que
 o Cristo.
11 Porm o maior dentre vs ser vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar ser humilhado; e o que a si
mesmo se humilhar ser exaltado.
13 Mas ai de vs, escribas e fariseus, hipcritas! Pois que
fechais aos homens o Reino dos cus; e nem vs entrais, nem deixais
entrar aos que esto entrando.
14 Ai de vs, escribas e fariseus, hipcritas! Pois que
devorais as casas das vivas, sob pretexto de prolongadas oraes; por
isso, sofrereis mais rigoroso juzo.
15 Ai de vs, escribas e fariseus, hipcritas! Pois que
percorreis o mar e a terra para fazer um proslito; e, depois de o
terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vs.
16 Ai de vs, condutores cegos! Pois que dizeis: Qualquer que
jurar pelo templo, isso nada ; mas o que jurar pelo ouro do templo,
esse  devedor.
17 Insensatos (1) e cegos! Pois qual  maior: o ouro ou o templo,
que santifica o ouro? (1){ou trancados do discernimento}
18 E aquele que jurar pelo altar, isso nada ; mas aquele que
jurar pela oferta que est sobre o altar, esse  devedor.
19 Insensatos e cegos! Pois qual  maior: a oferta ou o altar,
que santifica a oferta?
20 Portanto, o que jurar pelo altar jura por ele e por tudo o
que sobre ele est.
21 E o que jurar pelo templo jura por ele e por aquele que nele
habita.
22 E o que jurar pelo cu jura pelo trono de Deus e por aquele
que est assentado nele.
23 Ai de vs, escribas e fariseus, hipcritas! Pois que dais o
dzimo da hortel, do endro e do cominho e desprezais o mais
importante da lei, o juzo, a misericrdia e a f; deveis, porm,
fazer essas coisas e no omitir aquelas.
24 Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo.
25 Ai de vs, escribas e fariseus, hipcritas! Pois que limpais
o exterior do copo e do prato, mas o interior est cheio de rapina e
de iniqidade.
26 Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato,
para que tambm o exterior fique limpo.
27 Ai de vs, escribas e fariseus, hipcritas! Pois que sois
semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem
formosos, mas interiormente esto cheios de ossos de mortos e de toda
imundcia.
28 Assim, tambm vs exteriormente pareceis justos aos homens,
mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqidade.
29 Ai de vs, escribas e fariseus, hipcritas! Pois que
edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos
justos
30 e dizeis: Se existssemos no tempo de nossos pais, nunca nos
associaramos com eles para derramar o sangue dos profetas.
31 Assim, vs mesmos testificais que sois filhos dos que
mataram os profetas.
32 Enchei vs, pois, a medida de vossos pais.
33 Serpentes, raa de vboras! Como escapareis da condenao do
inferno?
34 Portanto, eis que eu vos envio profetas, sbios e escribas;
e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles aoitareis
nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade,
35 para que sobre vs caia todo o sangue justo, que foi
derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, at ao
sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santurio
e o altar.
36 Em verdade vos digo que todas essas coisas ho de vir sobre
esta gerao.
37 Jerusalm, Jerusalm, que matas os profetas e apedrejas os
que te so enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos,
como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu no
quiseste!
38 Eis que a vossa casa vos ficar deserta.
39 Porque eu vos digo que, desde agora, me no vereis mais, at
que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor!

MATEUS-CAPITULO-24
1 E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os
seus discpulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.
2 Jesus, porm, lhes disse: No vedes tudo isto? Em verdade vos
digo que no ficar aqui pedra sobre pedra que no seja derribada.
3 E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a
ele os seus discpulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando sero
essas coisas e que sinal haver da tua vinda e do fim do mundo?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ningum
vos engane,
5 porque muitos viro em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e
enganaro a muitos.
6 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, no vos
assusteis, porque  mister que isso tudo acontea, mas ainda no  o
fim.
7 Porquanto se levantar nao contra nao, e reino contra
reino, e haver fomes, e pestes, e terremotos, em vrios lugares.
8 Mas todas essas coisas so o princpio das (1) dores. {Gr.
odinon: dores de parto}
9 Ento, vos ho de entregar para serdes (1) atormentados e
matar-vos-o; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu
nome. (1){ou oprimidos; ou penosamente pressionados}
10 Nesse tempo, muitos sero escandalizados, e trair-se-o uns
aos outros, e uns aos outros se aborrecero.
11 E surgiro muitos falsos profetas e enganaro a muitos.
12 E, por se multiplicar a iniqidade, o amor de muitos se
esfriar.
13 Mas aquele que perseverar at ao fim ser salvo.
14 E este evangelho do Reino ser pregado em todo o mundo, em
testemunho a todas as gentes, e ento vir o fim.
15 Quando, pois, virdes que a abominao da desolao, de que
falou o profeta Daniel, est no lugar santo (quem l, que entenda),
16 ento, os que estiverem na Judia, que fujam para os montes;
17 e quem estiver sobre o telhado no desa a tirar alguma
coisa de sua casa;
18 e quem estiver no campo no volte atrs a buscar as suas
vestes.
19 Mas ai das grvidas e das que amamentarem naqueles dias!
20 E orai para que a vossa fuga no acontea no inverno nem no
sbado,
21 porque haver, ento, grande aflio, como nunca houve desde
o princpio do mundo at agora, nem tampouco haver jamais.
22 E, se aqueles dias no fossem abreviados, nenhuma carne se
salvaria; mas, por causa dos escolhidos, sero abreviados aqueles
dias.
23 Ento, se algum vos disser: Eis que o Cristo est aqui ou
ali, no lhe deis crdito,
24 porque surgiro falsos cristos e falsos profetas e faro to
grandes sinais e prodgios, que, se possvel fora, enganariam at os
escolhidos.
25 Eis que eu vo-lo tenho predito.
26 Portanto, se vos disserem: Eis que ele est no deserto, no
saiais; ou: Eis que ele est no interior da casa, no acrediteis.
27 Porque, assim como o relmpago sai do oriente e se mostra
at ao ocidente, assim ser tambm a vinda do Filho do Homem.
28 Pois onde estiver o cadver, a se ajuntaro as guias.
29 E, logo depois da aflio daqueles dias, o sol escurecer, e
a lua no dar a sua luz, e as estrelas cairo do cu, e as potncias
dos cus sero abaladas.
30 Ento, aparecer no cu o sinal do Filho do Homem; e todas
as tribos da terra se lamentaro e vero o Filho do Homem vindo sobre
as nuvens do cu, com poder e grande glria.
31 E ele enviar os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os
quais ajuntaro os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma 
outra extremidade dos cus.
32 Aprendei, pois, esta parbola da figueira: quando j os seus
ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que est prximo o
vero.
33 Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele
est prximo, s portas.
34 Em verdade vos digo que no passar esta gerao sem que
todas essas coisas aconteam.
35 O cu e a terra passaro, mas as minhas palavras no ho de
passar.
36 Porm daquele Dia e hora ningum sabe, nem os anjos dos
cus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai.
37 E, como foi nos dias de No, assim ser tambm a vinda do
Filho do Homem.
38 Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilvio,
comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, at ao dia em que No
entrou na arca,
39 e no o perceberam, at que veio o dilvio, e os levou a
todos, assim ser tambm a vinda do Filho do Homem.
40 Ento, estando dois no campo, ser levado um, e deixado o
outro;
41 Estando duas moendo no moinho, ser levada uma, e deixada
outra.
42 Vigiai, pois, porque no sabeis a que hora h de vir o vosso
Senhor.
43 Mas considerai isto: se o pai de famlia soubesse a que
viglia da noite havia de vir o ladro, vigiaria e no deixaria que
fosse arrombada a sua casa.
44 Por isso, estai vs apercebidos tambm, porque o Filho do
Homem h de vir  hora em que no penseis.
45 Quem , pois, o servo fiel e prudente, que o Senhor
constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo?
46 Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar
servindo assim.
47 Em verdade vos digo que o por sobre todos os seus bens.
48 Porm, se aquele mau servo disser no seu corao: O meu
senhor tarde vir,
49 e comear a espancar os seus conservos, e a comer, e a beber
com os bbados,
50 vir o senhor daquele servo num dia em que o no espera e 
hora em que ele no sabe,
51 e separ-lo -, e destinar a sua parte com os hipcritas;
ali haver pranto e ranger de dentes.

MATEUS-CAPITULO-25
1 Ento, o Reino dos cus ser semelhante a dez virgens que,
tomando as (1) suas lmpadas, saram ao encontro do esposo. (1){ou os seus
fachos}
2 E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. (1){Gr. moros:
ou fechadas contra discernimento; ou desmazeladas}
3 As loucas (1), tomando as suas lmpadas, no levaram azeite
consigo.
4 Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas
lmpadas.
5 E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram.
6 Mas,  meia-noite, ouviu-se um clamor: A vem o esposo!
Sa-lhe ao encontro!
7 Ento, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as
suas lmpadas.
8 E as loucas (1) disseram s prudentes: Dai-nos do vosso azeite,
porque as nossas lmpadas se apagam.
9 Mas as prudentes responderam, dizendo: No seja caso que nos
falte a ns e a vs; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para
vs.
10 E, tendo elas ido compr-lo, chegou o esposo, e as que
estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a
porta.
11 E, depois, chegaram tambm as outras virgens, dizendo:
Senhor, senhor, abre-nos a porta!
12 E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos no
conheo.
13 Vigiai, pois, porque no sabeis o Dia nem a hora em que o
Filho do Homem h de vir.
14 Porque isto  tambm como um homem que, partindo para fora
da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens,
15 e a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a
cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.
16 E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou
com eles e granjeou outros cinco talentos.
17 Da mesma sorte, o que recebera dois granjeou tambm outros
dois.
18 Mas o que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o
dinheiro do seu senhor.
19 E, muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e
ajustou contas com eles.
20 Ento, aproximou-se o que recebera cinco talentos e
trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco
talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei com eles.
21 E o seu senhor lhe disse: Bem est, servo bom e fiel. Sobre
o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu
senhor.
22 E, chegando tambm o que tinha recebido dois talentos,
disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles ganhei
outros dois talentos.
23 Disse-lhe o seu senhor: Bem est, bom e fiel servo. Sobre o
pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu
senhor.
24 Mas, chegando tambm o que recebera um talento disse:
Senhor, eu conhecia-te, que s um homem duro, que ceifas onde no
semeaste e ajuntas onde no espalhaste;
25 e, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o
que  teu.
26 Respondendo, porm, o seu senhor, disse-lhe: Mau e
negligente servo; sabes que ceifo onde no semeei e ajunto onde no
espalhei;
27 devias, ento, ter dado o meu dinheiro aos banqueiros, e,
quando eu viesse, receberia o que  meu com os juros.
28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez
talentos.
29 Porque a qualquer que tiver ser dado, e ter em abundncia;
mas ao que no tiver, at o que tem ser-lhe - tirado.
30 Lanai, pois, o servo intil nas trevas exteriores; ali,
haver pranto e ranger de dentes.
31 E, quando o Filho do Homem vier em sua glria, e todos os
santos anjos, com ele, ento, se assentar no trono da sua glria;
32 e todas as naes sero reunidas diante dele, e apartar uns
dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas.
33 E por as ovelhas  sua direita, mas os bodes  esquerda.
34 Ento, dir o Rei aos que estiverem  sua direita: Vinde,
benditos de meu Pai, possu por herana o Reino que vos est preparado
desde a fundao do mundo;
35 porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e
destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
36 estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive
na priso, e fostes ver-me.
37 Ento, os justos lhe respondero, dizendo: Senhor, quando te
vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber?
38 E, quando te vimos estrangeiro e te hospedamos? Ou nu e te
vestimos?
39 E, quando te vimos enfermo ou na priso e fomos ver-te?
40 E, respondendo o Rei, lhes dir: Em verdade vos digo que,
quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmos, a mim o
fizestes.
41 Ento, dir tambm aos que estiverem  sua esquerda:
Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o
diabo e seus anjos;
42 porque tive fome, e no me destes de comer; tive sede, e no
me destes de beber;
43 sendo estrangeiro, no me recolhestes; estando nu, no me
vestistes; e estando enfermo e na priso, no me visitastes.
44 Ento, eles tambm lhe respondero, dizendo: Senhor, quando
te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou
na priso e no te servimos?
45 Ento, lhes responder, dizendo: Em verdade vos digo que,
quando a um destes pequeninos o no fizestes, no o fizestes a mim.
46 E iro estes para o tormento eterno, mas os justos, para a
vida eterna.

MATEUS-CAPITULO-26
1 E aconteceu que, quando Jesus concluiu todos esses discursos,
disse aos seus discpulos:
2 Bem sabeis que, daqui a dois dias,  a Pscoa, e o Filho do
Homem ser entregue para ser crucificado.
3 Depois, os prncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os
ancios do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se
chamava Caifs,
4 e consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o
matarem.
5 Mas diziam: No durante a festa, para que no haja alvoroo
entre o povo.
6 E, estando Jesus em Betnia, em casa de Simo, o leproso,
7 aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com
ungento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabea, quando ele
estava assentado  mesa.
8 E os seus discpulos, vendo isso, indignaram-se, dizendo: Por
que este desperdcio?
9 Pois este ungento podia vender-se por grande preo e dar-se
o dinheiro aos pobres.
10 Jesus, porm, conhecendo isso, disse-lhes: Por que afligis
esta mulher? Pois praticou uma boa ao para comigo.
11 Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim no me
haveis de ter sempre.
12 Ora, derramando ela este ungento sobre o meu corpo, f-lo
preparando-me para o meu sepultamento.
13 Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for
pregado, em todo o mundo, tambm ser referido o que ela fez para
memria sua.
14 Ento, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os
prncipes dos sacerdotes
15 e disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles
lhe pesaram trinta moedas (1) de prata. (1){ou peas}
16 E, desde ento, buscava oportunidade para o entregar.
17 E, no primeiro dia da Festa dos Pes Asmos, chegaram os
discpulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que preparemos a
comida da Pscoa?
18 E ele disse: Ide  cidade a um certo homem e dizei-lhe: O
Mestre diz: O meu tempo est prximo; em tua casa celebrarei a Pscoa
com os meus discpulos.
19 E os discpulos fizeram como Jesus lhes ordenara e
prepararam a Pscoa.
20 E, chegada a tarde, assentou-se  mesa com os doze.
21 E, enquanto eles comiam, disse: Em verdade vos digo que um
de vs me h de trair.
22 E eles, entristecendo-se muito, comearam um por um a
dizer-lhe: Porventura, sou eu, Senhor?
23 E ele, respondendo, disse: O que mete comigo a mo no prato,
esse me h de trair.
24 Em verdade o Filho do Homem vai, como acerca dele est
escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem  trado! Bom
seria para esse homem se no houvera nascido.
25 E, respondendo Judas, o que o traa, disse: Porventura, sou
eu, Rabi? Ele disse: Tu o disseste.
26 Enquanto comiam, Jesus tomou o po, e, abenoando-o, o
partiu, e o deu aos discpulos, e disse: Tomai, comei, isto  o meu
corpo.
27 E, tomando o clice e dando graas, deu-lho, dizendo: Bebei
dele todos.
28 Porque isto  o meu sangue, o sangue do (1) Novo Testamento,
que  derramado por muitos, para remisso dos pecados. (1){ou Novo
Concerto}
29 E digo-vos que, desde agora, no beberei deste fruto da vide
at quele Dia em que o beba de novo convosco no Reino de meu Pai.
30 E, tendo cantado um hino, saram para o monte das Oliveiras.
31 Ento, Jesus lhes disse: Todos vs esta noite vos
escandalizareis em mim, porque est escrito: Ferirei o pastor, e as
ovelhas do rebanho se dispersaro.
32 Mas, depois de eu ressuscitar, irei adiante de vs para a
Galilia.
33 Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se
escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.
34 Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite,
antes que o galo cante, trs vezes me negars.
35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessrio morrer
contigo, no te negarei. E todos os discpulos disseram o mesmo.
36 Ento, chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsmani e
disse a seus discpulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou alm orar.
37 E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu,
comeou a entristecer-se e a angustiar-se muito.
38 Ento, lhes disse: A minha alma est cheia de tristeza at 
morte; ficai aqui e vigiai comigo.
39 E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto,
orando e dizendo: Meu Pai, se  possvel, passa de mim este clice;
todavia, no seja como eu quero, mas como tu queres.
40 E, voltando para os seus discpulos, achou-os adormecidos; e
disse a Pedro: Ento, nem uma hora pudeste vigiar comigo?
41 Vigiai e orai, para que no entreis em tentao; na verdade,
o esprito est (1) pronto, mas a carne  fraca. (1){Gr. prothumon:
vontade em esprito, querendo, desejoso}
42 E, indo segunda vez, orou, dizendo: Meu Pai, se este clice
no pode passar de mim sem eu o beber, faa-se a tua vontade.
43 E, voltando, achou-os outra vez adormecidos, porque os seus
olhos estavam carregados.
44 E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo
as mesmas palavras.
45 Ento, chegou junto dos seus discpulos e disse-lhes: Dormi,
agora, e repousai; eis que  chegada a hora, e o Filho do Homem ser
entregue nas mos dos pecadores.
46 Levantai-vos, partamos; eis que  chegado o que me trai.
47 E, estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos
doze, e com ele, grande multido com espadas e porretes, vinda da
parte dos prncipes dos sacerdotes e dos ancios do povo.
48 E o traidor tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu
beijar  esse; prendei-o.
49 E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te sado, Rabi. E
beijou-o.
50 Jesus, porm, lhe disse: (1) Amigo, a que vieste? Ento,
aproximando-se eles, lanaram mo de Jesus e o prenderam. (1){Gr.
hetaire: Amigo da ona}
51 E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mo,
puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma
orelha.
52 Ento, Jesus disse-lhe: Mete no seu lugar a tua espada,
porque todos os que lanarem mo da espada  espada morrero.
53 Ou pensas tu que eu no poderia, agora, orar a meu Pai e que
ele no me daria mais de doze legies de anjos?
54 Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim
convm que acontea?
55 Ento, disse Jesus  multido: Sastes, como para um
salteador, com espadas e porretes, para me prender? Todos os dias me
assentava junto de vs, ensinando no templo, e no me prendestes.
56 Mas tudo isso aconteceu para que se cumpram as Escrituras
dos profetas. Ento, todos os discpulos, deixando-o, fugiram.
57 E os que prenderam Jesus o conduziram  casa do sumo
sacerdote Caifs, onde os escribas e os ancios estavam reunidos.
58 E Pedro o seguiu de longe at ao ptio do sumo sacerdote e,
entrando, assentou-se entre os criados, para ver o fim.
59 Ora, os prncipes dos sacerdotes, e os ancios, e todo o
conselho buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe
a morte,
60 e no o achavam, apesar de se apresentarem muitas
testemunhas falsas, mas, por fim, chegaram duas
61 e disseram: Este disse: Eu posso derribar o templo de Deus e
reedific-lo em trs dias.
62 E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: No respondes
coisa alguma ao que estes depem contra ti?
63 E Jesus, porm, guardava silncio. E, insistindo o sumo
sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu s
o Cristo, o Filho de Deus.
64 Disse-lhes Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porm, que vereis
em breve o Filho do Homem assentado  direita do Todo-poderoso e vindo
sobre as nuvens do cu.
65 Ento, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo:
Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem
ouvistes, agora, a sua blasfmia.
66 Que vos parece? E eles, respondendo, disseram:  ru de
morte.
67 Ento, cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o
esbofeteavam,
68 dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem  o que te bateu?
69 Ora, Pedro estava assentado fora, no ptio; e,
aproximando-se dele uma criada, disse: Tu tambm estavas com Jesus, o
galileu.
70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: No sei o que dizes.
71 E, saindo para o vestbulo, outra criada o viu e disse aos
que ali estavam: Este tambm estava com Jesus, o Nazareno.
72 E ele negou outra vez, com juramento: No conheo tal homem.
73 E, logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram
a Pedro: Verdadeiramente, tambm tu s deles, pois a tua fala te
denuncia.
74 Ento, comeou ele a praguejar e a jurar, dizendo: No
conheo esse homem. E imediatamente o galo cantou.
75 E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera:
Antes que o galo cante, trs vezes me negars. E, saindo dali, chorou
amargamente.

MATEUS-CAPITULO-27
1 E, chegando a manh, todos os prncipes dos sacerdotes e os
ancios do povo formavam juntamente conselho contra Jesus, para o
matarem.
2 E, manietando-o, o levaram e o entregaram ao governador
Pncio Pilatos.
3 Ento, Judas, o que o trara, vendo que fora condenado,
trouxe, arrependido, as trinta moedas (1) de prata aos prncipes dos
sacerdotes e aos ancios, (1){ou peas}
4 dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porm,
disseram: Que nos importa? Isso  contigo.
5 E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se
e foi-se enforcar.
6 E os prncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata,
disseram: No  lcito met-las no cofre das ofertas, porque so preo
de sangue.
7 E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo
de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros.
8 Por isso, foi chamado aquele campo, at ao dia de hoje, Campo
de Sangue.
9 Ento, se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias:
Tomaram as trinta moedas de prata, preo do que foi avaliado, que
certos filhos de Israel avaliaram.
10 E deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor
determinou.
11 E foi Jesus apresentado ao governador, e o governador o
interrogou, dizendo: s tu o Rei dos judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o
dizes.
12 E, sendo acusado pelos prncipes dos sacerdotes e pelos
ancios, nada respondeu.
13 Disse-lhe, ento, Pilatos: No ouves quanto testificam
contra ti?
14 E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o governador
estava muito maravilhado.
15 Ora, por ocasio da festa, costumava o governador soltar um
preso, escolhendo o povo aquele que quisesse.
16 E tinham, ento, um preso bem conhecido, chamado Barrabs.
17 Portanto, estando eles reunidos, disse-lhes Pilatos: Qual
quereis que vos solte? Barrabs ou Jesus, chamado Cristo?
18 Porque sabia que por inveja o haviam entregado.
19 E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe
dizer: No entres na questo desse justo, porque num sonho muito sofri
por causa dele.
20 Mas os prncipes dos sacerdotes e os ancios persuadiram 
multido que pedisse Barrabs e matasse Jesus.
21 E, respondendo o governador, disse-lhes: Qual desses dois
quereis vs que eu solte? E eles disseram: Barrabs.
22 Disse-lhes Pilatos: Que farei, ento, de Jesus, chamado
Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado!
23 O governador, porm, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais
clamavam, dizendo: Seja crucificado!
24 Ento, Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto
crescia, tomando gua, lavou as mos diante da multido, dizendo:
Estou inocente do sangue deste justo; considerai isso.
25 E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre
ns e sobre nossos filhos.
26 Ento, soltou-lhes Barrabs e, tendo mandado aoitar a
Jesus, entregou-o para ser crucificado.
27 E logo os soldados do governador, conduzindo Jesus  (1)
audincia, reuniram junto dele toda a coorte. (1){ou ao pretrio}
28 E, despindo-o, o cobriram com uma capa escarlate.
29 E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabea e,
em sua mo direita, uma cana; e, ajoelhando diante dele, o
escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus!
30 E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana e batiam-lhe com ela na
cabea.
31 E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa,
vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado.
32 E, quando saam, encontraram um homem cireneu, chamado
Simo, a quem constrangeram a levar a sua cruz.
33 E, chegando ao lugar chamado Glgota, que significa Lugar da
Caveira,
34 deram-lhe a beber vinagre misturado com fel; mas ele,
provando-o, no quis beber.
35 E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes,
lanando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta:
Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha tnica lanaram
sortes.
36 E, assentados, o guardavam (1) ali. (1){ou vigiavam}
37 E, por cima da sua cabea, puseram escrita a sua acusao:
ESTE  JESUS, O REI DOS JUDEUS.
38 E foram crucificados com ele dois salteadores, um, 
direita, e outro,  esquerda.
39 E os que passavam blasfemavam dele, meneando a cabea
40 e dizendo: Tu, que destris o templo e, em trs dias, o
reedificas, salva-te a ti mesmo; se s o Filho de Deus, desce da cruz.
41 E da mesma maneira tambm os prncipes dos sacerdotes, com
os escribas, e ancios, e fariseus, escarnecendo, diziam:
42 Salvou os outros e a si mesmo no pode salvar-se. Se  o Rei
de Israel, desa, agora, da cruz, e creremos nele;
43 confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou
Filho de Deus.
44 E o mesmo lhe lanaram tambm em rosto os salteadores que
com ele estavam crucificados.
45 E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, at
 hora nona.
46 E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo:
Eli, Eli, lem sabactni, isto , Deus meu, Deus meu, por que me
desamparaste?
47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isso, diziam: Este
chama por Elias.
48 E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e embebeu-a em
vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.
49 Os outros, porm, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem
livr-lo.
50 E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o
esprito.
51 E eis que o vu do templo se rasgou em dois, de alto a
baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras. {ou rochas}
52 E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que
dormiam foram ressuscitados;
53 E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreio dele,
entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos.
54 E o centurio e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o
terremoto e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor e
disseram: Verdadeiramente, este era o Filho de Deus.
55 E estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham
seguido Jesus desde a Galilia, para o servir,
56 entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, me de Tiago
e de Jos, e a me dos filhos de Zebedeu.
57 E, vinda j a tarde, chegou um homem rico de Arimatia, por
nome Jos, que tambm era discpulo de Jesus.
58 Este foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.
Ento, Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado.
59 E Jos, tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lenol,
60 e o ps no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha, e,
rolando uma grande pedra para a porta do sepulcro, foi-se.
61 E estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, assentadas
defronte do sepulcro.
62 E, no dia seguinte, que  o dia depois da Preparao,
reuniram-se os prncipes dos sacerdotes e os fariseus em casa de
Pilatos,
63 dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador,
vivendo ainda, disse: Depois de trs dias, ressuscitarei.
64 Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurana at
ao terceiro dia; no se d o caso que os seus discpulos vo de noite,
e o furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e assim o ltimo
erro ser pior do que o primeiro.
65 E disse-lhes Pilatos: (1) Tendes a guarda; ide, guardai-o como
entenderdes. (1){ou Levai a guarda}
66 E, indo eles, seguraram o sepulcro com a guarda, selando a
pedra.

MATEUS-CAPITULO-28
1 E, no fim do sbado, quando j despontava o primeiro dia da
semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
2 E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do
Senhor, descendo do cu, chegou, removendo a pedra, e sentou-se sobre
ela.
3 E o seu aspecto era como um relmpago, e a sua veste branca
como a neve.
4 E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados e como
mortos.
5 Mas o anjo, respondendo, disse s mulheres: No tenhais medo;
pois eu sei que buscai a Jesus, que foi crucificado.
6 Ele no est aqui, porque j ressuscitou, como tinha dito.
Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia.
7 Ide, pois, imediatamente, e dizei aos seus discpulos que j
ressuscitou dos mortos. E eis que ele vai adiante de vs para a
Galilia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito.
8 E, saindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e
grande alegria, correram a anunci-lo aos seus discpulos.
9 E, indo elas a dar as novas aos seus discpulos, eis que
Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos sado. E elas, chegando,
abraaram os seus ps e o adoraram.
10 Ento, Jesus disse-lhes: No temais; ide dizer a meus irmos
que vo a Galilia e l me vero.
11 E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando  cidade,
anunciaram aos prncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam
acontecido.
12 E, congregados eles com os ancios e tomando conselho entre
si, deram muito dinheiro aos soldados, ordenando:
13 Dizei: Vieram de noite os seus discpulos e, dormindo ns, o
furtaram.
14 E, se isso chegar a ser ouvido pelo governador, ns o
persuadiremos e vos poremos em segurana.
15 E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam
instrudos. E foi divulgado esse dito entre os judeus, at ao dia de
hoje.
16 E os onze discpulos partiram para a Galilia, para o monte
que Jesus lhes tinha designado.
17 E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.
18 E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: -me dado todo o
poder no cu e na terra.
19 Portanto, ide, ensinai (1) todas as naes, batizando-as em
nome do Pai, e do Filho, e do Esprito Santo; (1){ou fazei discpulos}
20 ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho
mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, at  consumao
dos sculos. Amm!
